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sexta-feira, 22 de junho de 2018

( BÓIA) 30 MINUTOS À BENFICA...

Boas.

Regresso para mais uma pescaria de bóia neste ano tão complicado pela minha zona...

Fui apanhar uns corre corre para pescar e em meia horita lá consegui o suficiente para mais 2 ou 3 pescas de bóia...

Preparei tudo na noite anterior, empatei muitos anzóis e lá fui eu no dia seguinte... Eram umas 16 horas quando cheguei ao pesqueiro e estavam para lá 4 ou 5 colegas a dar na luta, mas queixavam se da música que já conheço este ano... Lá montei a cana e comecei a tentar a Norte visto que a maré ainda estava com 2 horas e meia de enchente... Bóia no fundo, uma safia... Água... Mais um lançamento... Bóia no fundo! Um sarguito de 20 cm. água... E durante uns 20 minutos estive a pescar ao peixágua!!! Fiz uns 15 peixes, dos quais apenas guardei 2, uma safia jeitosa, e 1 sargo de uns 25 cm. mais ou menos... Muito peixe, mas nada de qualidade...

...


De repente, nada... A enchente foi dando água ao pesqueiro e nem pequenos nem grandes... A Norte, nada, a Sul, nada!!! A malta  via se mesmo que estava frustrada... E eram umas 7 horas e ficámos só 3 a pesca... A minha ideia continuava como nas últimas pescarias, ou seja... Tentar safar a pesca... As águas muito abertas não permitiam grandes veleidades e ali a Sul tive apenas um bom peixe agarrado que venceu a luta e desferrou depois de uns segundos valentes de luta. Era um bom peixe... Foi pena! E fiquei novamente mais uma meia hora ou mais, já nem sei sem sentir um único toque!!! Roçava o desespero... Os 3 resistentes lá continuávamos e fomos rodando todos os buracos que dominamos a procura do peixe... Mas acaba por ser desmotivante e acaba por ser necessária muitaaa paciência para esperar por um bom peixe... Eram cerca de 20 horas e perco um anzol e sento me no panier... Fiquei a pensar se montava ou se me ia embora...

...

Como tem sido hábito, este ano, agarrei no telemóvel e fiquei ali uns minutos a relaxar e a falar com a malta... Os meus colegas de pesca mantinham a mesma toada!!!

...

Mas eis que de repente, do nada tudo mudou!!! O tempo em minutos escureceu, a água translúcida, ficou preta, sim, literalmente negra... Escura mesmo... Lá na frente, um deles, diz me que sentiu seguido 2 peixes bons... E eu lá fui montar novamente o tenso e agarrei na Forza e lá fui!!! Eram 8.50, tínhamos minutos de luz!!! E a pesca é linda, é maravilhosa, é fantástica por isto mesmo!!! Em segundos tudo muda... Às vezes até num lançamento tudo muda!

...

E mudou!!! Assim que meto a bóia na água... ZZZZZZZZZZZZZZZZZZZ, bóia no fundo, peixe forte na luta pum, pum, pum... Luta bonita e peixe a seco... Içagem perfeita, tudo tranquilo, e olho para o lado e lá estavam os outros dois também com peixe... Tirei rapidamente o peixe e pimba para dentro e ZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZ, peixe novamente bruto, estão cheios de força, cabeçadas pum pum pum... E já perto da pedra, esperei a subida da água e icei novamente o peixe. Perfeito...

O ritmo era explosivo, e eu curtia o momento, que na pesca e na vida têm que ser valorizados e aproveitados... Lá continuei a procura deles, e faço mais 2 de seguida, a bitola era mais pequena, mas jeitosa... Estava mesmo a ritmo alto, e nem tinha tempo para respirar, era aproveitar pois o peixe com a reponta ali no pôr do sol e final do dia, com a água repentinamente negra, saiu para comer sem medos... Todos a ferrarem peixe, ZZZZZZZZZZZZZZZZ, mais um, bóia no fundo, e pum pum pum... Peixe a ser recolhido direito a pedra e como sempre aproveitei a subida da água e fiz a içagem, sem stresses... Tudo a correr sobre rodas... Eram uns a seguir aos outros, peixe já muito bom, e sempre a cabeçear...

...





O dia começava a desvanecer e eu já mal sabia da bóia, e lancei na mesma... No meio da água escura, e do escuro no horinzonte já nem sabia bem acompanhar visualmente a bóia, mas, lol, esticava a linha e ZZZZZZZZZZZZZZZZ, pum pum pum, peixe agarrado, peixe trabalhado e peixe a seco...TOP! Brutal! Sem ver já nada, ainda resolvi lançar de novo, numa onda do tudo ou nada, pois o risco do multi ir a pedra e ficar sem ele era muito... Mas lá arrisquei e foi igual, linha esticada... Pum pum pum... ZZZZZZZZZZZZZZZZZZZ, peixe ferrado, trabalho o dentolas bem, com muito mais cuidado pois já não sabia bem distinguir nada, e era mesmo por intuição e conhecimento do pequeiro... Outro a seco... E tive que parar, mesmo estando lá peixe. A noite tinha chegado e já não dava mesmo para mais... Foram 30 minutos à Benfica lol, e foram 30 minutos que valeram por uma tarde desesperante de pesca... Fiz muito peixe no total... Se contar com os que apanhei quando cheguei tirei mais de 30 peixes, mas levei apenas 15 para casa... Tirei umas fotos aos maiores e lá fui para casa todo satisfeito... Não foi mau, não me posso queixar para o que tem sido... Mas foi aquele final de dia mágico pois a pesca em si foi sofrida mais uma vez... Tenho muitas saudades daquela actividade frenética de outros anos... Mas fico satisfeito com o que consegui...

Em breve torno lá ainda a ver se faço mais 2 ou 3 pescarias antes do fim do mês...

Até lá malta, divirtam se e sejam felizes...







MATERIAL:
CANAS: Vega Blazer Float, Vega Forza Special
CARRETOS: Sakura Alpax, Shimano Twin Power FB
LINHAS: Vega 8X  braid, Vega Super tech 100% fluorocarbono 0.245mm.
ISCOS: Caranguejo, Batata


FILIPEPC

quarta-feira, 13 de junho de 2018

( BÓIA) MAIS UNS MACACOS EM ANO DIFÍCIL!

Boas.

Não tem sido um ano famoso de pesca à bóia na minha zona... Longe de anos aureos e grandes pescarias com dezenas de exemplares... Este ano até a data fiz 2 pescas acima da dezena, o que é manifestamente pouco... A maioria dos dias que fui, e foram bem menos do que em anos passados, a actividade foi a espaços, peixes muitos sofridos, águas a maioria das vezes lusa, mas tenho que ser sincero, até com água mais tapada e espumada não tem sido famoso... Houvem se explicações distintas... Foi o ano chuvoso, é o mar luso, a praia está areada, as redes são cada ano mais e mais, o tempo não aqueceu de forma consistente... Bem, são tantos os motivos que não sei qual terá tido mais influência, mas a meu ver todos conjugados fazem deste ano a realidade que tem sido... Pescas sofridas, alguns bons exemplares, mas muito menos peixe, e pouquíssimos dias de actividade frequente...



Pois bem, para se ir aos sargos como eu gosto, há que ir aos "cangarejos", e lá fui eu no dia anterior e ali em 40 minutos apanhei o suficiente para 3/4 dias de pesca... Na madrugada seguinte lá estava eu a caminho, já com um monte de anzóis empatados, pois não gosto de o fazer no momento de pesca nesta modalidade...






Ao chegar, a desilusão do costume... Mar aberto, luso, praticamente sem espuma... Só de olhar fiquei deprimido, só de olhar percebi que ia ter mais um dia sofrido!!! Mas a muito que na vida e na pesca aprendi que se tem que jogar com o que se tem... E portanto era com aquele mar que eu tinha que fazer o gosto ao dedo...

Como referi apenas levei caranguejo e batata e nem apostei em mais nada sem ser no caranguejo, cada vez tenho menos paciencia para estar ali na rataria, e mesmo assim ainda se tiram uns peixes pequenos, imagine se com iscos moldes...  Neste pesqueiro, por esta altura do ano, o caranguejo ainda é o que safa uma pescaria.

Como sempre ali pesco de 0.23mm. a 0.26 mm... Muitos que pescam noutros locais e bons sargos questionam por vezes o porquê de se utilizar diametros destes, o porquê de não se usar um 0.18mm., 0.20 mm.

...


Pois bem, é simples, se usarmos esses diametros, num pesqueiro com correntes muito fortes, normalmente sem espaço para se trabalhar um peixe, o provável é perderes o peixe. Existem spots em que se pescam sargos iguais e maiores, mas onde a facilidade de se trabalhar um peixe é muito maior, sem grandes correntes laterais que varrem a bóia em segundos. O caso está mais do que estudado, pescamos assim, porque é assim que temos que nos safar...

Caranguejo na água e bóia a trabalhar... Parecia um navio a pairar sobre o tejo, esbelto e tranquilo... Peixe? Qual peixe?

Este ano praticamente só se tem tirado peixe perto da reponta e vazante... Ao contrário de anos onde a qualquer hora se podia ser feliz... Entendam que para aqueles que conhecem pescam, e vivem com gosto o sítio custa mais... Não se está habituado. Quando não estamos habituados a algo na vida, custa mais. Doi mais. É mesmo assim...

O dia em si continuava na mesma, fiz 2 peixes devolvidos, dois sargotes secalhar nem de palmo... E sentei me no panier. Para verem, eu não me lembro em anos de me sentar a pescar a bóia ali, este ano acho que passo mais tempo ali sentado, a pensar na vida, a espera de ganhar mais força para mais uns lançamentos... Tem sido outra forma de viver, de estar lá, de viver... Também é bom. Acreditem, se souberem contemplar tudo, sem pensarem só no peixe, sem se deixarem cegar pela infinita ganância de mais e mais, acabam por conseguir encontrar um pouco de paz, de prazer... E sou feliz mesmo assim, sorrio mesmo assim, vivo mesmo assim.

Sinto me realizado comigo por conseguir diferenciar a vontade que tenho em procurar bom peixe de ter que o apanhar sem qualquer outra hipótese... Cada vez sinto que vivo mais e melhor a pesca em si. Cada vez me sinto mais adulto neste desporto. O resto pois, vai acontecendo, de forma natural...

Julgo que já me tinha sentado umas 2x, até que a maré já perto da reponta me fez descer ali uma pedra para fugir a malta do corrico, e tentar pescar mais a Sul...

E fez se finalmente luz... ZZZZZZZZZZZZZZ, peixe ferrado corrida lateral já forte, peixe bom a rebater se... A cana excelente a amortecer as pancadas, eu só tive que esperar e ir recuperando até fazer o momento do içar o peixe. Simples. Um macaco. Continuei com a esperança em alta, e lá fui eu novamente ao mesmo cantinho procurar um irmão e ZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZ, e lá foi de novo, bóia no fundo, peixe a a lutar bem, cana a trabalhar e peixe a seco... São tão raros estes momentos que tenho que aproveitar. Insisti e fiz ali mais 2 ou 3 peixes, esses devolvidos e depois a actividade baixou.

Parei mais um bocado, desta para comer qualquer coisa e beber água... Já tinha pouco tempo pois tinha compromissos e lá decidi fazer mais um forcing, e ainda deu para sentir mais dois peixes para se juntar a conta...  Não foi nada demais, continuo a dizer que tem sido longe dos últimos anos, mas deu para safar a coisa e trazer uns peixes. Já deu ara mim, para a mulher e para um casal amigo fazermos uma jantarada...

Ainda espero por dias melhores, para já tem sido pescas em que em cerca de 4 horas se tiram entre 5 a 10 peixes, traz se 2 a 5 peixes e já não e mau...

Antes de me ir embora ainda fui comer uma bolinha de berlim, e depois lá fui aos compromissos...

Ainda devo fazer umas pescas até final da temporada, pode ser que melhore, se não melhorar, há que ter calma, é mesmo assim...

Um abraço a todos e até breve...







Material:

Cana: Vega Blazer Float 6 mt.
Carreto: Sakura alpax
Linhas: Vega Braid 8x, Vega Super tech 100% 0.245 mm.
Iscos: Caranguejo


FilipePC

terça-feira, 29 de maio de 2018

UM MACACÃO NA ESTREIA DA BLAZER FLOAT

Boas.

O ano tem sido muito incerto no que toca a pesca à boia, aliás acho que foi incerto em tudo!!!

Talvez por isso tenha até à data ido menos do que é costume pois aprveito mais para descansar do que para pescar. Até tenho ido alguns dias somente dar um giro à costa só para ver o mar, comer um gelado e apanhar ar. Estando ao pé do mar, estou sempre bem...

Mas como existe o bichinho cá dentro, claro que lá tenho ido a espaços... Infelizmente as águas têm andado com uma cor marada e estão demasiado abertas o que para os sargos é uma bodega...

Saudades daquele mar espumado que ou negro que nos incute o vício e nos tira os sargos dos buracos para virem mariscar. Desta forma eles encostam pouco e os que lá andam são desconfiados e praticamente nem ligam aos iscos que lá pômos, sejam quais forem!!!

Tenho andado a testar uma cana nova, a Vega Blazer Float e isso tem me dado gosto em fazer umas pescas para me habituar a cana. Tal e qual no surfcasting tenho adorado conhecer novos materiais e é desafiador para um pescador que tem os seus gostos e crenças usar canas diferentes do habitat em que está habituado a pescar...

A Blazer Float tem sido uma surpresa boa... Não estou aqui com rodeios, não tem a acção de ponteira ou mais rápida que eu estou mais habituado, mas tem uma leveza vs elasticidade de carbono vs capacidade de lift para o seu peso pluma que me tem dado um gosto especial em testar...



Tenho tentando sentir ao detalhe tudo o que posso desta cana, pois ela merece. Leve, bem acabada, toda em Fuji, com um carbono muito elástico que segura e mata bem o peixe, restava agora conseguir sentir um bom sargo para entender o seu trabalhar. Tenho feito uns peixes, tenho capturado peixes interessantes e ela mesmo fazendo uma parábola superior do que a Combat f4 por exemplo tem se portado bem, mas eu precisava testar a cana com um peixe acima de quilo e trabalhar e içar o peixe para ver o que ela realmente vale, ou até onde pode ir...







O dia não estava propício a tal pois as águas limpas e cristalinas não convidam muito estes sargos nesta zona. É mais pescar à paciência, tentar esperar pela oportunidade como um ponta de lança que está o jogo todo sem tocar na bola e que na única oportunidade que tem, ou fatura ou fica em branco!

Pois bem, tinha levado caranguejo rijo e batata e nem toquei neste dia na batata... Como estava fixado num matateu nem pensei muito... Mas quando não há não se pode inventar... Mesmo com o caranguejo e sem actividade puvvvvv, bóia no fundo e ferragem feita, mas rapidamente me apercebi ser peixe apenas razoável e foi fácil içar, sem expor muito a cana ás dificuldades que queria... Outro lançamento e mais outro igual... Peixe muito desconfiado a comer de beiço e sem grande porte. Peixe de 300/400 gramas... Insisti mais um pouco mas sem actividade resolvi me sentar e parar um pouco. Gosto bastante de aproveitar alguns momentos para estar a curtir aquela aragem que tanto me apaixona.

Estive um pouco no telemóvel a entreter me e depois resolvi fazer mais um esforço em busca de mais algum peixe... E novamente peixe da mesma bitola... Mais um sargo de 300 gramitas... Estive mais um bom bocado ali a tentar e nada lancei longe com a corrente e levar a bóia lá bem fora, lancei perto, lancei a direita, a esquerda, mas nada... Parei novamente um pouco, tirei umas fotos ao cenário e regressei para uma 3ª e última tentativa. Mudei também o anzol, procurando nestes dias dificeis usar um anzol mais fino como o yamame, embora vos seja sincero não é o meu anzol preferido neste pesqueiro onde raramente metemos o xalavar e onde se iça o peixe. O Yamame é talvez o anzol que melhor ferra um peixe, mas como sabem é fino e pode abrir com um peixe grande no momento de içar... Mas o desespero leva a isso, lololol.

Outra alteração que fiz foi diminuir o peso do chumbo a procura de mais naturalidade do tenso a trabalhar ali na escoa junto à pedra... Já nem estava a espera, quando começo a sentir toques, toques... e deixo ir... Nisto em parte com peixe desconfiado, cana menos rija permite trabalhar melhor e o peixe lá se foi enganando sozinho e quando fui fazer a ferragem, julgando ser mais um do mesmo tamanho...ZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZ, eis que o drag arranca e eu deixo correr uns metros, cabeçadas vigorosas, cana lá bem em baixo a amortecer as pancadas e peixe a correr para a corrente, mas travei ligeiramente o drag e obriguei o a cansar se mais depressa... Com calma esperei com ele lá bem em baixo a dar cabeçadas e mais uma tentativa de arranque ZZZZZZZZZZZZZZ, mas já estava cansado o macacão e comecei a aproveitar o mar para o trazer junto a pedra onde ele já pouco cabeceava... Quando lhe vi a côr e me apercebo do que estava em causa, até sorri... Pensei, vamos lá ver então se consegues levantar o matateu... E a cana fez lá a sua parábola típica de uma cana mais macia, mas sem qualquer problema fazendo o efeito mola meteu me o peixe a seco... Um bom peixe, muito sofrido, muito, muito... A pesca é como é, nem sempre corre de feição, mas fiquei satisfeito com a performance da cana e por ter entendido o que podia fazer com ela. É dierente, estou habituado a trabalhar menos o peixe e a ser mais bruto com eles. Mas acho que faz parte de um pescador saber avaliar o que tem na mão e o que pode fazer com cada cana ou carreto. A Blazer está aprovada, como estou a explicar tem o seu estilo, é uma cana realmente leve e equilibrada, e que tem o power q.b. que precisamos para um pesqueiro assim, mas temos que saber trabalhar mais o peixe e aproveitar o efeito de mola para facilitar içagens de grandes peixes.

Sobre a pesca, estava em cima da hora e foi mesmo só tirar uma fotografia e ir embora, já estava bom... Soube bem, e realizei os meus objectivos.


P.S. - Falei sobre o yamame e quando o tirei da boca do matateu estava já dobrado, aguentou se pois é um anzol de qualidade, mas é um risco levantar peixe destes com anzóis tão finos, nisso os modelos chinu parecem me mais adaptados aquela realidade.

Malta, até breve, mais virão certamente!!!






MATERIAL:
CANAS: VEGA BLAZER FLOAT 5 MT.
CARRETOS: SAKURA ALPAX
LINHAS: VEGA BRAID 8X 0.18 MM., VEGA SUPER TECH 150 METROS FLUOROCARBONO
ANZÓIS: VEGA CHINU, VEGA YAMAME
ISCOS: CARANGUEJO RIJO



FILIPEPC


segunda-feira, 3 de julho de 2017

( BÓIA ) UM MACACO VELHO E A ALEGRIA DE QUEM ESTÁ AINDA A COMEÇAR



Olá malta, no dia anterior tinha sacado aquele sargo do jogo que fizemos com 555 gramas, e como tinha folga novamente e uns caranguejos de sobra decidi ir fazer uma pescaria novamente, e treinar uma pesca que para mim ainda é recente que é a pesca à boia com caranguejo. Sou mais adepto do surfcasting e pesca a noite a boia ao robalo e baila.
Realmente dizem que por vezes é muito difícil as ferragens e realmente é preciso nos habituarmos nos a forma como eles comem... 

O mar ainda por cima estava aberto o que dificultava a pesca, e poucos peixes vi sair pelo pontão todo.

Tive que esperar que a maré virasse pois enquanto esteve a subir não me deixava pescar, a corrente era muita, e só quando virou é que tentei.

Levei logo umas pancadas, mas mamavam o caranguejo e eu nem reacção tinha.

As vezes só a bóia mexia ligeiramente e já lá não tinha caranguejo, outras eu nem via nada.

Nisto na frente do pontão saíram dois peixes, um deles muito grande, e animei, tentei me concentrar e sacar algum e quando já não esperava a bóia afundou só um pouco e estiquei a linha, o peixe arrancou e fiz a ferragem. Percebi logo que tinha um peixe bom, e tentei aguentar e deixar a cana matar o peixe. Quando ele acalmou já perto de mim fiz a içagem e tudo correu bem.

A minha alegria como podem entender era grande pois tinha um bom troféu.
Mandei logo a foto a malta do GANG e continuei mais uma hora a tentar outro, mas os toques eram poucos e não saiu peixe pelo pontão.

Decidi arrumar e dar por terminada a pescaria.

O braço começa cada dia mais a sentir a ferragem com caranguejo e isso deixa me feliz.

A todos até breve, ficam as fotos possíveis.

LINDO SARGO, QUE RISCAS ESPECTACULARES




NUNO C.

quarta-feira, 28 de junho de 2017

( BÓIA) UM SARGALHÃO E OS FILHOS



Olá, esta semana quis ir fazer uma pesca a Costa e no dia anterior fui apanhar um monte de caranguejos que baptizo como sapateiras ahahahah... A noite empatei mais de 20 anzois já com o chumbo e eram 4 horas e já estava em pé a comer pronto para ir ao vício.

Cheguei lá ao nascer do dia, águas muito abertas e peixe dificíl, a desferrar e a fugir, ferrei uns 3 ou 4 que todos se pisgaram, os maganos.

Estava a pescar ao bico e resolvi virar a Norte e a bom tempo, a bóia afunda devagar, deixei ir e depois ferrei o macaco, mesmo dos negros... Uma luta bonita, com o carreto a disparar linha mas com muito engenho lá o segurei e consegui içar sem problemas.

A alegria era o meu apanágio, continuei a julgar que era dia dos grandões, mas a actividade era pouca, e durante as 3 horas seguintes fiz apenas mais dois sargos ali de 400 gramas.

Foi o que deu, numa manhã boa, mas em que o mar não ajudava e esteve quase sempre translúcido.

Aqui o Santos, não esmorece e em breve voltamos a carga...

Até breve jovens...




SANTOS



terça-feira, 6 de junho de 2017

( BÓIA) MAIS UNS SARGOS E UM PORCO


OLÁ MAIS UMA PESCARIA NA COSTA DA CAPARICA...

MAR CHÃO, ÁGUAS ABERTAS, POUCO PEIXE.

A ENTRADA DE ALGUNS PEIXES PORCOS, ALEGROU A PESCA COM VÁRIOS A PARTIREM ESTRALHOS. AINDA TIREI UM COM MAIS DE 1 KG.

OS SARGOS FORAM ESCASSOS, MAS BONS...

FOI O QUE ARRANJOU...



MATERIAL


DAIWA STRONG FLOAT
SHIMANO SYMETRE 4000 FJ
CARANGUEJO RIJO


MIGUEL BRAVO



terça-feira, 30 de maio de 2017

( BÓIA) DIAS TOP DE SARGOS... OU A VIDA NUM ENCHIO!!!

Boas.

Fazer este relato, obriga me a pensar muito no que foram estes 3 dias de pesca que tive seguidos e que apenas vou fazer o relato deste. Até porque de outro não sobrou nada para mostrar...

A linha que separa a inconsciência da estupidez é por vezes muito próxima... Sei que por vezes se pensa que se trata de estupidez, de arriscar em demasia... Mas na realidade tu quando não sentes que TU estás em perigo sentes confiança para estar a pesca num pontão ou numa praia mesmo que o mar seja enorme, não tanto por ele estar grande, mas porque a amplitude ser acima de 4 metros mais algum enchio e a forma por onde essa ondulação passa... Observas escolhes o sitio, julgas te a salvo... Mas acontecem coisas imprevisíveis... Respeito o mar, mesmo. Não sou louco, mas tenho consciência de que por vezes um simples set, mesmo em dias mais ou menos calmos pode deitar tudo a perder. Deve ser assim que por vezes se perdem vidas... Deve ter sido assim que muitos foram com o mar...
Não se julgue que morrem sempre pessoas no mar por inconsciência, isso é de quem não conhece o mar, nem entende nada do assunto. Muitas vezes são momentos uns provocados e avisados pelo mar, outros nem tanto. No meio dessa linha, existe a mesma palavra de sempre a que talvez adjective melhor todo esse processo: Facilitismo.

Sou um tipo cuidadoso, leio bem o mar, tenho essa convicção, até sou dos que estou sempre a avisar os outros do mar, dos enchios, estou sempre a prever o que vai acontecer. Sinceramente acho mesmo que percebo da coisa. Por isso arranjar explicações agora a frio é mais simples, mas a quente não foi...

Por onde começo? É que relato com fotos e tal será só deste 1 dia desculpem mas será assim, os outros dois apenas quero deixar a mensagem do que se passou... Uma espécie de diário.

...

Bem, vou começar o relato tipo a Pulp Fiction, ou seja ao contrário... Ou melhor Sargos Fiction, ou até aceito a versão Facilititation fiction. 

Tenho feito umas pescas boas, a malta tem perguntado mas entendam que não tenho vida para estar sempre a fazer relatos, falta me o tempo e por vezes a vontade. Faço-o sempre com gosto, com amor, mas nem sempre dá...

O Guilherme estava de férias e queria ir fazer uma pescaria, disse lhe para irmos fazer uma bóia, gosto muito, e apanha se ar e sol. Mas vamos começar por onde tudo terminou!

...

Dia 3: Levantei me cedo para ir apanhar caranguejos... Tudo normal, tinha perdido tudo no dia anterior, andei a tentar ver em casa se tinha material para pescar, pois perdi tudo o que tinha da tralha de pesca a boia. Lá arranjei umas linhas, uuns anzois e desta levei uma mochila da rapala do spinning impermeável as costas... Calção de banho, e siga para bingo.

Cheguei lá, tudo tranquilo o mar lá fora batido mas maré ainda a meio, deixou pescar um pouco... fiz 2 sargos, um dentolas e outro de 500 gramas... A maré ganhou força e cresceu, o pontão vazou, ficámos lá três. A amplitude cresceu de tal maneira com a maré a subir que as ondas que passavam pareciam arranha céus... Varreu tudo muitas vezes, mas estava preparado ( pelo menos em teoria), e tirando uns banhos não senti receio... A água até estava boa e tal... sabia bem levar com ela de vez em quando... Pescar é que está quieto, a boia era varrida em segundos... Mas a carolice mantém te lá...

Passámos duas horas a levar banhos, eram tantos que parecia que estava de férias no Algarve a apanhar sol e a ir dar uns mergulhos... Isto e só tirei mais dois sargos.


Mar espumado e lindo como se pede... Bem, tirando o resto lol...



Bem, o Manel, lá escorregou, caiu e partiu a cana... Para ele a pesca terminou...

Ficámos dois... Eu e o Francisco Roxo.
.

A maré lá chegou a reponta... E o mar parece que acalma né...

Vejo um casal a vir ao largo e só pensava o que é que eles estão a fazer... Gritei, mas nem me ligaram, ele de máquina fotográfica, ela toda feliz de estar ali... Eu vejo de repente um set enorme que ia varrer o meio do pontão, as pessoas nem olham, é inacreditável a forma como ignoram ( nisto é mesmo por não saberem como quem pesca sabe o perigo de um set, e não saberem ler o mar) e põem a vida em risco... Eu gritei, o meu amigo gritou, eles estavam longe, e o set veio, a miuda foi de rojo, e por milagre não caiu ao outro lado, ficou no limite, por 10 cm. varrida no chão, corri, gritei mais alto para sairem já dali, ele perdeu a máquina fotográfica. Vinha novo set, correram para trás, cairam de novo, mas com menos perigo, e lá se salvaram...

Voltei para o fim do pontão onde o mar bate, molha te, mas aparenta ter menos perigo, a meio é para ires " à vida"...

Bem, a maré começou a vazar e a actividade era pouca... Chegou o Miguel e o Pedro Lourenço... Eu vejo um set, e assim que eles chegam eu grito para eles:

- " Vai varrer, vai varrer..." e eles não se acreditaram e assim que chegam mar levanta, tudo varre, e lá se foram as arcas dos dois... Umas delas partiu, mas ficou encalhada e por sorte o Miguel desceu e lá safou a arca partida, mas com os caranguejos lá dentro... A outra lá foi a boiar pelo mar fora...

A malta começou a chegar e os sets eram terríveis a meio do pontão eram só filmes, muitas pessoas sem experiência, e lá vem outro dos grandes... Tudo varrido, tudo a boiar, várias malas para a água... Pessoas no chão caídas... Um filme... Eu sentia peixe, mas tirando dois que devolvi ferragens era 0. Um desastre, a minha performance, tinha a cabeça cheia, mas estava a limpar... Precisei de enfrentar o " TOURO PELOS CORNOS" Depois de tudo o que se passou eu tinha que lá estar,, tinha que o ver senti-lo, falar com ele, e olhem que falei bastante sozinho para com ele...

Mais um set, e mais um tipo que a meio perde a mala...Eu estava tranquilo tinha a mochila as costas, e só levei uns banhos, nada mais...

A maré já levava uma hora e meia de vazante e eu estava a aproximar me da hora de me ir embora... Tinha compromissos e era mais meia horita...

A malta pouco ou nada tirava e já éramos uns 10 por lá... e começo a sentir peixe, mudo de spot, e epa, sinto dois seguidos que se foram, já ferrados... um era um monstro... andei com ele uns 2 minutos e ele nem me deixava levantar do fundo...  Ganharam a batalha... Mas o peixe estava ali e fui mudar de anzol, aumentei e comecei a perceber bem onde eles estavam a comer e era mel...

Cada lançamento, cada peixe ferrado ZZZZZZZZZZZZZZZZZ, alguns a dispararem drag e de seguida tirei uns 10 sargalhões, muito bom. Tudo negros, dentolas, pareciam fumadores de anos, lololol... O Miguel ainda ferrou uns 3, o Lourenço só um, andava perdido ali sem saber bem o que fazer não sei porquê... Tentei ajudá-lo para ele perceber onde estava o peixe e de que forma devia fazer...

Resolvi ficar mais meia hora e o peixe estava a bruta, eram arrancadas fortes, um gozo, um prazer inolvidável, nem sei descrever, simplesmente amo pescar a boia aos sargos. Aquilo dá uma tesão do caraças pessoal, e sentir os dentolas é TOP.

Ferragem atrás de ferragem, perdi mais uns quantos e tirei mais uma meia dúzia antes de bazar. Estava lá peixe, mas já tinha a saca composta com 16 sargos bons e resolvi dizer adeus a malta e lá fui a minha vida já atrasado para um jantar que tinha com um casal amigo. Julgo que somos todos iguais, a pesca, o peixe a adrenalina e um gajo sabe que está na hora, mas é sempre só mais um, só mais um...

Então e como me senti? Bem como expliquei a quase todos que vieram falar comigo sobre o sucedido no dia anterior, estava zangado, um pouco transtornado, mas estava bem. Senti me a cada hora a aceitar melhor tudo o que se passou. Em 32 anos de pesca nunca tinha perdido nada, nunca tinha sentido perigo, e já passei por muitas coisas, quer apeada quer embarcada, mas sempre me senti seguro de mim... Digamos que foi complicado, mas resolvi com o " TOURO" o que tinha pendente... É assim que sou...

...

Lembro me de quando jogava a bola com a minha equipa, já vão uns anos de sentir me sempre assim. Passo a explicar: Tinhamos uma boa equipa de futsal que entrou em torneios, ganhámos coisas, também tinhamos hora marcada semanal para jogar contra umas equipas e tal... Felizmente ganhávamos muito mais do que perdíamos, mas também perdemos alguns jogos ao longo dos anos e eu adorava jogar a bola, adorava mesmo fazia tudo para evoluir e ser melhor enquanto grupo, como equipa sermos melhores e mais fortes, e quando perdia um jogo, ia danado, nem dormia bem, e passava a semana toda a espera, acreditem que era mesmo assim, passava a semana toda a espera do reencontro, de poder derrotar quem a mim me derrotou... Nem sei explicar, está em mim...

O que senti com o mar foi igual, ou parecido. Senti que tinha que ir lá senão ia passar a semana toda a pensar nisso... Agora estou bem, já passou. Sinto me bem, estejam tranquilos, aprendi algumas coisas, estive sempre seguro de mim neste dia, e tranquilo como gosto de ser e estar.

O mar, avisou me. Eu ouvi! Mas somos amigos, e os amigos falam, não viram costas.


DIA 2: Bem ontem tinha sido brutal, maravilhoso, que dia. Só ansiava por outro igual, mas dias não são dias, e o mar nem sempre te dá...

...

O dia terrível, o dia em que tudo, correu ao contrário... E tinha tudo para correr bem... De manhã estava preguiçoso e não fui cedo.

Quando cheguei já tinham acontecido vários filmes... Já um rapaz tinha caído e rachado a cabeça, hospital, etc... um filme... O mar estava muito grande, mais que no dia 3, Cheguei com meia maré e já o mar ameaçava varrer tudo... Fiquei, estava tranquilo, sou assim, o mar sempre me respeitou e eu sempre o respeitei. Não sei explicar, julgo que sei ler bem o mar, julgo... Bem e no dia anterior tinha tudo corrido bem e tal, li bem onde ele rebentava mais, resguardei me no sitio certo, seria só fazer o mesmo, a aguagem até era menor...

A potência do mar era impressionante...





...

A malta foi fugindo com o mar... Eu fiquei, mais um rapaz... O mar foi varrendo as coisas N vezes, fomos tentando recuar até ao ponto onde supostamente o mar não passava entre todo o pontão... e lá escolhemos um spot.

Como pescávamos? Bem, é simples... Ele ficava com com as coisas, e eu ia la a frente lançar, quando recolhia, eu ia as coisas e ia ele lançar... Uma espécie de rodinha bota fora.

Juntámos o arraial, daqui nada sobrou, foi tudo á agura, procurando defender das vagas juntos quando elas vinham...
Minutos antes...


Nisto veio um enchio ele correu, eu literalmente me joguei para cima de tudo ( 2 arcas, 1 mochila e uma mala).  A geleira de esferovite partiu, o resto salvou se, eu fui arrojado uns metros com as coisas, mas foi tranquilo pois foi mais para não perder nada... Imagino que pensem que tranquilo o caraças... Epa malta, em parte foi, o mar era gigante, se passasse daquela forma o pontão claro que teríamos problemas, mas os sets varriam lateralmente o que fazia que de 3/4 para a frente do pontão a coisa fosse mais calma, com perigo claro, mas mais controlado.

A nossa pesca naquelas duas horas finais foi essa... Ia um a frente, o outro baixava e sempre assim... Várias vezes corremos, o mar varreu tudo, chegávamos a ser os dois a segurar em tudo, literalmente jogávamos nos para cima do material e tentávamos aguentar. Numa dessa vezes o set foi mais forte ainda nos arrastou as coisas mas conseguimos recuperar tudo que ficou ali preso nas pedras...

Durante aquele processo no entanto havia peixe, embora fosse quase impossível pescar... Tinha que se esperar que o set passasse e naqueles 10 segundos lançar a bóia e zzzzzzzzzzzzzzz... Fiz ali 9 peixes naquelas duas horas manhosas, e de constante sobressalto. A maré continuava a varrer atrás bem lá no meio do pontão e epa começou a chegar a reponta da maré e a malta chegou aos montes para fazer a viragem... Lá bem na frente o peixe depois da viragem nem era muito e apenas fiz um peixe... Tinha 10 sargos bons, e perco um anzol e ponho me a empatar um anzol quando vejo alguém a gritar:

- " Olha o mar, olha o mar..."... E eu nem tive tempo de raciocínio, sabem que isto são fracções de segundo... Eu olho para trás e vejo o rapaz em cima das nossas coisas, a onda levanta de tal maneira que parecia um prédio... Do nada, já com a cota de água mais baixa, já com hora e pouco de vazante...

...

E quando rebenta eu tenho um apagão, Não me recordo bem de tudo, no meio da confusão geral do correr para trás para ajudar ou ficar quieto e esperar que o mar não me levasse perdi ali uns 2 ou 3 segundos, uma branca... Quando ela explode pelo pontão, vai as coisas, vai o rapaz, e ele tem que largar tudo... Não aguentou o mar e quando olho tenho parte da minha vida a boiar... Confusão instalada, malas na água, as pessoas meio perdidas julgo... E vejo a minha geleira, os peixes, a comida, o panier, todo o meu material de bóia ( que estupidamente levo 30 pacotes de anzois, 4 ou 5 bobines de fio, 4 ou 5 boias piker óculos de sol, sei lá, bonés, protector solar, tanta coisa que estava lá dentro... E a minha bolsa com chaves de casa, carro, documentos todos... Tudo no mar...

Não sei se por milagre ou não, a bolsa dos documentos ficou a boiar perto, o resto afastou se com as correntes fortes e com os sets a virem e a continuarem a varrer tudo. Peço para me agarrarem na cana, vejo o rapaz a correr para trás a zona do inicio do pontão deixa lá tudo... Volta a correr, eu já a despir o vadeador para me jogar ao mar, o raciocínio era 0. Quando digo, 0, é 0 mesmo... Só pensava na bolsa, no meio de tanta coisa perdida só pensava na bolsa... O rapaz chega, atira se primeiro a água vem o mar, ele anda ali e agarra a bolsa, eu desço, seguro a bolsa, torno acima e peço que me segurem a bolsa...

Nisto vem o Pedro de mãos na cabeça... Só depois é que me dou conta que uma das malas em frente era a dele, e ele me diz que as canas ( duas canas com carreto) tinham ido mar fora...e que na mochila estava o resto, entre chaves, documentos... Ele a dizer que não sabia nadar... O rapaz tenta ir buscar a mala... Consegue por milagre agarrar mas não consegue nadar com ela de volta... E eu resolvo descer novamente... Ele na água, eu quando tento agarrar a mochila do Pedro um peso do outro mundo ( a água lá dentro devia fazer esse efeito) Já dentro de água com o vadeador, e água na cintura em cima de uma pedra vejo o set, mais uma parede a vir e ali sim pensei:

- Estou fodido. Perdoem a linguagem, mas acho que entendem... Vejo o set, agarro me a mala do Pedro, e lá vou eu uns metros, felizmente embora contra as pedras, não bati com a cabeça e so me aleijei na mão e fiz um arranhão de nada na cotovelo o vadeador até fez de bóia, encheu e amorteceu a pancada... Vem novo set e baixo me para fazer peso e esperar que passasse... Veio por cima de mim... E o set passou, abri os olhos e pensei:

- Estou vivo. É agora... A mala pesava horrores, eu mal tinha força para a levantar, fiz o máximo que pude subi um pouco e entreguei ao Pedro... Quando me levantei e olhei para aquilo parado a ver as minhas coisas a desaparecerem mar fora... Nova branca... Fiquei completamente fixado naquilo e só me recordo de abanar a cabeça... A água entrou vadeador dentro, felizmente não foi fatal, um gajo não pensa... De inicio quando me ia despir para ir ao mar lembro me que pensei nisso, mas depois quando foi para ir ajudar a safar a mala do Pedro já não tinha raciocínio possível... Lixei mais umas coisas que tinha comigo no casaco e de valor e que se molharam, e enfim... Agarrei no que me sobrou, agradeci a quem ajudou, e os 3 fomos pontão fora, a pensar na vida. Vida que podia ter ido num enchio. Naquele momento somos todos humanos, não há lugar para mais nada. . Do nada. Simplesmente do nada, do tamanho de um prédio... Foram " apenas bens materiais" que custam a ganhar, algumas coisas de valor, mas estava bem. No meio de tudo estava bem.

Entrei no carro direito a casa e fui a pensar na vida, na família, em tudo. Pensei naquele caminho até minha casa, em muitas coisas queridas que tenho... E que podia ter perdido... E a tal fúria estava dentro de mim... E ainda estava a caminho e disse para mim...

- " Amanhã tens me de volta mar"... Senão passo semanas até ir de novo a pensar nisto. Assim que cheguei a casa parecia um pinto molhado e ouvi da mulher, tentei secar o máximo de documentos que pude... Fui a arrecadação ver o material que ainda tinha para a bóia, e pûs me a empatar anzóis enquanto a Rita se zangava comigo por ir de novo depois de tudo...

Olhei para ela, dei lhe um beijo e disse lhe:

- Não digas nada. Confia em mim, não vai acontecer nada, eu preciso de lá voltar, e vou preparado desta vez..."
Ela não gostou, mas aceitou e pediu me cuidado...

Dormi mal, muito mal... A espera da hora de acordar para ir apanhar caranguejos e ir de novo. Dormi zangado sei lá, com um peso em mim... Se um amigo me avisou, então tenho que ir falar com ele melhor.

...

Este foi o dia 2, pessoas magoadas, canas perdidas, um senhor partiu também a cana, pessoas no chão varridas pelo mar, vidas que por entre um SET, podiam ter sucumbido. Facilitar é no que dá... E atenção que o WINDGURU só dava 10/11 de aguagem, o que não é nada alto... Isto para verem o que é o mar. Ontem tinha estado 13 e não sofremos tanto...

...


Dia 1: O dia em que tornei a pescar ao lado de um grande amigo. Nem tudo é mau malta, por isso depois de lerem tanto, vamos ao relato mais feliz, também com perigos como vão perceber, mas mais controlados...

Tinha combinado com o Guilhas ir a bóia e por isso no dia anterior tinha ido apanhar caranguejo para os dois. Ainda me doem as pernas de baixar e levantar a apanhar caranguejo, lol, a idade não perdoa...

Combinei com o Guilherme as 11 horas nas bombas da BP mas cheguei 40 minutos antes e aproveitei para tomar o pequeno almoço com toda a calma... Quando ele chegou já tinha o café pago, foi beber e seguir...



Chegámos ao pontão e o mar estava realmente grande para uma maré que só levava 2 horas e tal enchente... Montei a cana, tentei pescar e senti logo peixe... Ferro um, e perco outro a seguir... Desferrou belo peixe...

Mais um lançamento e ZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZ, cana ao alto peixe controlado pum pum pum, aquelas cabeçadas brutais e vigorosas, peixe na escoa, e puff... Parte o 0.25 mm. Peixe acima de quilo, já dos velhos que não deu chances com tanta força do mar... Mais uma caranguejo, e ZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZ, pum, pum pum... Escoa muito forte, trabalho o dentolas e peixe cá em cima, um belo sargo... O Guilhas ainda estava a zeros e também já tinha perdido peixe... Logo de seguida ZZZZZZZZZZZZZZ, mais uma arrancada brutal peixe lá bem em baixo e mais um desferrado. O número de peixes a desferrarem foi enorme, a escoa forte ajudava a isso pois sempre que estás a trabalhar um peixe grande que a maioria das vezes está presa pela pelinha é fatal. Mesmo que o trabalhes bem, é difícil sabem, muito mesmo.  Bem, logo de seguida ferro o 3º pum, pum, pum e ZZZZZZZZZZZZZZZ e lá o seguro e trago o 3º... Nisto o Gui lá ferra o 1º e lá desgradou... A malta entretanto com a subida de água ia bazando e o pontão foi sendo varrido principalmente a meio até 3/4...  A subida levou a malta toda embora menos eu, o Gui, e mais um senhor...  Nisto vemos um surfista em apuros... Eles arriscam também, e ali a corrente puxa para trás estando a encher para dar a volta ao pontão. O erro é deixares te ir muito ao bico...


Ele avisava... 




Lá gritámos para ele não nadar contra e deixar se ir que conhecemos aquilo bem e o que acontece é que a corrente leva te e dás a volta ao pontão e depois de estares do outro lado é fácil, basta nadares a favor e a corrente do lado contrário é mais calma e já estás safo... Ele facilmente depois de perceber o erro lá acreditou em nós e deixou se levar pela corrente... e lá foi levado dando a volta  ao pontão. Quando saiu agradeceu... Tudo tranquilo. A pesca é que estava longe de estar tranquila. O mar estava grande e obrigou tudo a fugir mas lá nos fomos mantendo entre salpicos e banhos. O mar lá fora crescia e a dificuldade em pescar era grande... Foi mais por carolice aqueles momentos... Tinha que esperar muito tempo para poder lançar 1 vez a bóia e dar com o sargos... Sabia onde estavam já tinha reparado. E assim que a bóia lá caia ZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZ, era cada arrancada os macacos comiam caranguejo como tremoços... Ferragens e desferragens, momentos únicos de prazer... A maré não dava tréguas, a altura dela, com uma amplitude acima dos tais 4 metros fazia do pontão parecer um anão... e a cada vaga eu pensava se estava correcto na escolha em ficar e proteger somente as coisas quando o mar varria... Como conheço bem aquilo, a ideia era que a escolha era certa... Eu dizia ao Gui que assim que virasse o mar acalmava como costuma fazer ali e iria deixar pescar...


As nossas Vega Forza Special, um luxo de cana...



Mais um enchio, mais uma corrida, malas defendidas, tudo tranquilo. Foram mais uns quantos e a malta começou a chegar... O mar assim que deixou pescar, estava maravilhoso, espumado, escuro e com peixe. Que podes querer mais? Foi maravilhoso, muitos peixes tirados ZZZZZZZZZZZZZZZZZ´S atrás de ZZZZZZZZZZZZZZZZZZ´S, pum, pum, pum, parece que ainda estou a sentir no braço as cabeçadas deles. Um MUST. São momentos únicos de felicidade, momentos únicos na vida no desporto que eu amo. O mar serenou mesmo e deixou pescar, nada de enchios malucos... A escolha foi certa não foi? Então podia ir a vontade no dia seguinte e seguir a mesma estratégia certo?

...

Pois... O dia 2 foi um filme como já vos expliquei, o dia 2 com um período de vaga/aguagem de 10/11 contra os 13 do dia 1, fez miséria e trocou nos as voltas, a mim e aos que lá perderam material e talvez um pouco da segurança que se tem ao pescar quando se conhece bem um spot. Agora frio lembra me uma coisa... Vou voltar ao futebol e aos meus jogos com a minha equipa de há bastantes anos atrás ( estou a ficar velho sim)... Fizemos centenas de jogos ao longo de 16 anos que jogámos juntos, não me recordo da maioria ao detalhe, mas lembro me sempre deste jogo em questão... Calhou nos uma equipa fraquita, lembro me que só tinha 1 tipo bom, o resto eram caneleiros que só sabiam passar a bola e pouco mais... Ao Intervalo venciamos por 5-0. Nada menos que isso. Pimba. E podiam ser 7 ou 8. Fácil, lembro me que pensava isto vai acabar acima dos 10-0 ou 12-0 a estes tipos...

Aprendi uma lição... Perdemos 5-7. O que parecia seguro, não era, as minha convicções falharam, e nós perdemos o jogo... Ainda hoje não tenho explicação sem ser o facilitismo, e mesmo assim, não sei como foi possível perder com aqueles tipos... Mas a nossa cegueira precipitou o que no fim aconteceu.

Não tornei a menosprezar mais nenhuma equipa contra quem joguei...

Sobre a pesca, aprendi uma lição 32 anos depois de ter começado a pescar... A linha que te separa de viveres ou não na pesca, pode estar num simples enchio, num simples momento de facilitismo provocado quase sempre por uma arrogância silenciosa de quem acha que sabe muito.

E muitos que sabiam muito, já cá não estão para dizer como foi... Não quero que tudo pareça um filme de terror, não foi, existem casos bem piores e mais graves, mas é um aviso a muitos que estão agora a ler. Um enchio é o processo mais perigoso da pesca.

Vou por isso me despedir com um episódio já longo que me aconteceu com o Palma a uns anos de barco. Tinhamos ido aos polvos e tinham dado aguagens a passarem dos 11 aos 19 em 3 horas, quando viemos já o mar era outro e tive que lhe pedir que fossemos embora... Ao chegar a rampa da cova era impossível estabilizar o barco e subir, tal o enchio que ia e vinha como um fantasma...

Resolvemos ir pela rampa que está já na entrada ali da cova nas casas, e passei por momentos que não me posso esquecer. Se algum dia julguei que entendia o que era um enchio naquele dia, levei um doutoramento. Ao tentar meter o barco no atrelado a água desaparecia até ao final do pontão, eu ficava a seco, com cerca de 100 metros de areia seca a minha frente. Eu não estou a abusar, 100 metros, ia até ao final do pontão... Quando ela vinha, em 3 segundos parecia um torpedo e levava me a mim, ao atrelado, ao barco, e chegava me ao peito... voltava a ir... e ficavámos em seco de novo... Nunca teríamos salvo o barco se não fosse um rapaz que nos veio ajudar. Foram momentos de loucura, eu agarrado ao barco quando vinha a água sem conseguir alinhar com o atrelado e era tudo varrido... Um enchio mesmo quando avisa é imprevisível e é o elo mais perigoso da pesca. Tenham cuidado, a sério.

A todos desde já um obrigado por terem lido, e não vou ser chato mas repito: tomem cuidado.

Apenas vos digo que o facilitismo é aliado da estupidez. E eu fui muito estúpido... Ou pelo menos facilitei em demasia. É quando se julga que está ganho, que por norma, se perde...

Ao Guilherme, obrigado por mais este dia maravilhoso de pesca com um grande amigo.

Ao mar... Olha... Tu sabes que eu voltarei, porque faz parte do meu ADN, mas percebi o sinal e espero que tenhas percebido o meu.

Amigos, a linha é mesmo essa... Viver ou não por vezes está num enchio...


Obrigado a todos os que ajudaram.







Material:

Canas: Vega Forza Especial 5 mt. ( 2)

Carretos: Shimano Twin Power FB, Tubertini Luís

Isco: Caranguejo rijo.



Filipepc

terça-feira, 23 de maio de 2017

( SURFCASTING) MAIS UM TAROULO XL NA LAGOA DE SANTO ANDRÉ

Boas.

Estava com uma vontade louca de ir a Costa Alentejana mas só o Santos podia e lá resolvemos nos pôr a caminho. Na noite anterior tinha dormido pouco e por isso fui quase o caminho todo a dormir, mas valeu bem a pena, pois descansei bem e isso deu me as energias necessárias para a pescaria. Tínhamos combinado pescar só até as duas da manhã, ou seja não seria para fazer a noite toda, e portanto com poucas horas de pesca, cada minuto conta...



Chegámos a praia da lagoa de Santo André, analisámos os fundões e caneiros e lá parámos. Fiquei mais a esquerda do Santos, mas o acampamento sempre junto.






Preparei o meu isco de eleição para os grandes robalos, o choco fresco, e pese embora o mar não fosse aquele mar grande que eu gosto, mexia um pouco e a praia é tão funda que na minha modesta opinião pode ali dar sempre peixe de grande porte. A cor da água era excelente e a espuma ajudava a festa. A iscada feita com perfeição, e digo isto porque acreditem que sou muito crítico comigo na pesca, quando sinto que não fiz bem, falo sozinho e refilo comigo e na realidade existem iscadas que me deixam muito a desejar, que não correm bem. Esta foi das que senti que era mesmo aquilo... Arrisquei e comecei logo nos 4 metros de estralho, a ver o que o mar me dizia...





Vai cana para dentro de água e bem no meio do caneiro que lá tinha. Fui entretanto preparar a outra cana... Iscada de lingueirão fresco, isco que é fantástico para os bons sargos e douradas, se bem que ali estava mas apostado em algum bom sargo.








O santos lá fazia as suas isacada TOP e lá andava feito barata tonta de um lado para o outro. O homem trabalha que se farta!!!

Nisto surge um senhor da zona, um "cota" e nada, pôs se ao lado e tal... lá disse ao Santos que era da zona e que pescava ali e tal, mas sempre com um ar sisudo. E quando o Santos lhe faz a pergunta para 1 milhão, a resposta típica de de "cota" batido da zona sai lhe de pronto:

- " Então amigo e tem dado peixe?"

- " Não sei, você é que está a pesca"... Isto com um ar de manhoso que só visto...

Confesso que tive logo para lhe responder e correr com ele... Mas preferi estar calado e fazer a minha pesca e ignorar que ele ali estava... Nem sempre é fácil, mas é o melhor.

Bem, fui montar a terceira cana, esta iria pescar de forma diferente, com uma chumbada mais leve e e de outro formato para a obrigar a correr mais a ver se havia ali alguma possibilidade de pescar dessa forma, mais "vadia".

O senhor não arredava pé e por lá se mantinha, mas sempre "à defesa". É incrível como as pessoas das zonas são...  Acho engraçado, mas talvez por estar habituado a isso em algumas zonas da minha área e sei que alguns nem é por mal... Lá lhe fui respondendo a perguntas básicas que me fazia, como a linha que estava a usar, o isco, etc...

Bem, o dia entrava no seu fim, no pôr do sol, e fui me sentar na cadeira a descansar, agarrei me ao tlm para falar com o GANG, sabem que já faz parte do dia a dia. Como temos um chat privado, é algo que se tornou natural. E faz parte de todo o espírito de grupo que tanto gosto e sinto.

Estava eu nisso quando vejo a Black Star a dar um puxão, e depois outro... Até que a ponteira vai abaixo e o drag ZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZ, dei uma ligeira corrida e segurei na cana... Quando segurei pessoal, bem... Quando segurei... Posso vos dizer desde já que felizmente já apanhei tanto peixe grande que não ficou nem um pouco stressado com um peixe do outro lado da linha tenha lá o peso que tiver. É algo para mim natural. Já vos disse várias vezes em relatos que até sinto a falta por vezes da inocência que recordo esses momentos com muito carinho, de quando um peixe me fazia tremer, de quando subir a fasquia me punha louco. Hoje em dia sinceramente isso não se passa comigo. É algo tranquilo e completamente natural.

Mas, este mudou um pouco esse sentimento, deixo para vocês me ajudarem a pensar ou a decifrar o porquê, mas se vos disser que ao surfcasting ( tirando corvinas) foi o peixe que mais mexeu comigo em 30 anos de pesca, acho que digo muito... Quando agarrei na black star epa, o peso era tanto, mas tanto que parecia aquele efeito que as corvinas dão ao alaparem ao fundo devido ao seu peso... Eu queria levantar a cana e com isso tirar o peixe do seu conforto e não conseguia, parecei estar preso... Depois estava com 0.18 mm. no carreto e com um estralho de 0.26 mm. o que para peixe grande que isso eu sabia que era, se tornava um risco demasiado grande. Bem, eu segurava na cana e tentava dar a manivela e o bull´s amigos, nem mexia, e eu Gritei pelo Santos pois sabia que podia ser preciso ajuda... Ele nada, continuava lá com a sua luta cima e baixo de roda das canas...

Bem, finalmente levanto um pouco e ZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZ, e digo para mim... Mas será alguma raia enorme... mas o que é isto, a cana não levanta, o carreto não consegue enrolar, era algo de tão estranho, mas tão estranho... Fui trazendo o peixe devagar com o mar, sempre com a ondulação, não sei se dei mais que 2 ou 3 maniveladas em seco, porque o resto era dar ao carreto, o drag disparava logo... e era cana em peso com o peixe sempre e esforço, corria pouco, deu umas cabeçadas a meio que me fez logo ter a "certeza" que seria um taroulo enorme, e tornei a gritar pelo Santos que lá se apercebeu que eu não estava a brincar... Nisto já devia ter passado uns 10 minutos de luta... E o tal senhor da zona também se aproximou de mim... A minha esquerda tinha o centro do fundão, que nem vos sei dizer o quanto fundo era mas seria mesmo muito, o que me trazia um problema acrescido, e o peixe a vir e vir rodava sempre para Sul, ou seja para o fundão... Em esforço, mas sempre concentrado ia tentando evitar que ele afundasse ali... Para perceberem, o que eu não queria era que aquele peixe alapasse ao fundo num fundão daqueles, pois com aquela linha podia ser fatal, e o que eu tentava era manter a cana o mais em cima possível e a linha em tensão para o obrigar a não descer, mas não conseguia evitar muito que ele fugisse para a esquerda... Digo vos sinceramente, porque já tirei robalos enormes, troféus... Pensei que tinha do outro lado o meu record de robalo, julguei por aqueles minutos todos que estava ali algo do outro mundo... É um grande robalo sim, mais um XL, mas o que passei naqueles 20 minutos para tirar o peixe, não sei sequer descrever bem. Tanta força, mas tanta força, tanta potência, tanta insubordinação do peixe que nunca me deixou trabalhar como eu gosto, que sempre me pôs a prova e em dificuldades, foi mágico e agradeço o momento. Mesmo.

Vamos continuar... O peixe vinha ali a uns 20 a 30 metros sempre a fugir a esquerda, sempre em esforço e eu nem dava ao carreto, limitava a recolher quando a ondulação o trazia e só evitava que ele afundasse... A Black star já não podia dobrar mais, eu sempre a dar lhe com esforço, cana de lado, mas ao alto e para o lado oposto a obrigar a linha a esticar e nunca baixar e lá começo a ver a barbatana dorsal...

O senhor da zona só dizia: " Não o deixe ir ao fundão, senão perde-o" E eu pensava... " Achas que eu não sei isso, que não sei que se o deixo baixar aquele fundo que este 0.26 mm. não vai aguentar o esforço, até porque o peixe devia ter comido esteróides ou ser amante de ginásio. Aquilo só sentindo... Com ele na escoa, outro filme... Impossível, recolher, a fundura da praia é tanta, e a força para trás era tanta que foram mais uns 10 minutos só na escoa, cima, baixo, cima baixo, carreto nem recolhia...

O Santos já tinha água até ao joelho e eu idem aspas...Comecei a ver o marmanjo já perto mas ir buscar o peixe lá abaixo era fora de questão, um peixe não vale uma vida, e disse ao Santos para ter calma que eu ia levar o peixe a ele, não se ia descer mais pois se algum caísse e fosse com aquela escoa podia ser fatal... Aguentei o peixe, linha bem no alto cá fora, os 4 metros de estralho aqui deram jeito, pois se fosse mais curto uma chicotada produzia mais potência junto ao nó e podia partir... Escoa acima, lá vinha ele, tentava recolher em seco... Esqueçam... Escoa abaixo, peixe na água, fundura impressionante, praia com metros loucos de declive... O mais complicado para mim estava feito, ao fundão este já não ia, que estava na escoa, o problema é que ali perde se muito peixe e peixe grande mais ainda quando se pesca fino... Eu estava literalmente cansado, ofegante... O Santos continuava a querer ir lá abaixo e eu mantinha a calma e pedia calma... Onda acima, recolhe, recolhe, onda a abaixo, abre drag deixa ir, deixa ir... Duro pessoal, muito duro. Peixe brutal. Peixe do ginásio só pode. Como não conseguia fazer nada, nada mesmo, resolvi parar para pensar... É que não o conseguia trazer de baixo, as linhas estavam no limite, eu tenho essa experiência que me diz facilmente quando não posso abusar mais com as linhas... E resolvi mesmo deixar o peixe andar ali na escoa uns segundos para pensar... Olhava os sets, e com mais calma percebi que teria que aproveitar os maiores, aquelas duas ou três ondas maiores... Era a única chance que tinham e preparei me... Avisei o Santos que era a seguir, e esperei, esperei, e quando o mar aumentou, quando cresceu e me deu as maiores ondas... Eu recolhi o mais depressa que pude, eu trouxe o peixe acima e acima, e a escoa veio, eu desta feita corri abaixo o mais depressa que pude... o mar veio na onda seguinte ainda grande, e eu corri acima, estiquei a linha rápido e deixe o impulso final... Fora do perigo da escoa ele ficou ali a meio caminho, o Santo correu agarrou e fugimos ambos para cima a tempo de não levar com a onda seguinte... Eu estava rebentado. Um peixe, deu cabo de mim. Uma luta fabulosa, inexplicável, ou não... E uma alegria imensa... Um lindo peixe, um cabeçudo daqueles XL, mas não o meu record, que por muitos minutos julguei ter ali... Nunca nenhum robalo me fez isto. Nem por sombras... O Santos todo molhado teve que mudar de roupa eu sentei me um pouco a descansar... parei uns 5 minutos... Com o cota ao lado sempre com os olhos no robalo a dizer que ia buscar as canas que morava alia perto e tal, lololol... Eu disse lhe que fazia bem, quem sabia se não aparecia outro daqueles...

Lá me levantei e fiz mais uma iscada de choco e pimba lá para dentro... Novamente um toque na Black Star e lá me levanto para ir recolher, desta vi logo pouco peso, era um robalote de 34 cm. mas para verem tirei foto antes de o devolver... Engoliu aquela tira toda...




Não preciso dizer que julgámos que ia ser uma noite brutal... Embora só fossemos ficar até as 2 da manhã, com o anoitecer julguei que a coisa ia aquecer e ia ser TOP.
Se vos disser que o relato podia terminar aqui... Foram 5 horas até as duas da manhã em que eu não tive nem mais um toque, melhor... Os iscos iam, e vinha exactamente iguais, como se nada lá andasse dentro, nem caranguejos, nem peixe miúdo, nada!!!

Além disto um dia tão bonito e com um sol tão quentinho de noite ficou um frio manhoso... Ainda não são aquelas noites quentes que sabem bem...

O Santos a minha direita diz que teve uns toque pequenos e no último lançamento, lol, tirou um robalo de uns 25 cm.

O tal senhor da zona a direita do Santos, zero também...

A pesca é realmente fértil nisto... Claro que a minha pesca estava feita, enfim... Basta 1 peixe assim e por mim está se bem. Mas não esperei que a noite fosse tão fraca. Não mesmo.

A companhia como sempre excelente, deu me mais um momento único, vivido com um grande amigo, um gozo o Santos, uma pessoa que mistura a sua cultura com a inocência e boa disposição de um jovem...

Pelo caminho fechei um pouco os olhos e lá descansei...

Ao Santos o meu obrigado, porque foi essencial em tudo nesta pesca e no peixe que tirei. Além disso vivenciar momentos com alguém é muito mais rico do que o fazer sozinho...

Assim que der volto lá... Porque o amor é maior...










MATERIAL:

CANAS: VEGA POTENZA ELITE, CINNETIC BLACK STAR ST (2), CINNETIC RAYCAST, DAIWA TOURNAMENT Z, VERCELLY SPYRA AUGUSTA NANO, 

CARRETOS: SHIMANO BULL´S EYE (4) SHIMANO FLIEGEN, DAIWA SALTIGA SURF

LINHAS: CINNETIC SKY LINE RED INFERNO, YUKI KENTA, SUFIX 100% FLUOROCARBONO, VEGA POWER ZONE 100% FLUOROCARBONO

ISCOS: CHOCO FRESCO, LINGUEIRÃO, CASULO, AMERICANO, BICHA BRANCA



FILIPEPC, ARISTIDES SANTOS