Um espaço de partilha, criado por um grupo de amigos para a comunidade do mundo da pesca, onde o respeito pela natureza e legislação são um factor importante, e onde se procurará fomentar a paixão pela pesca desportiva.

Sexta-feira, 25 de Maio de 2012

A pesca na Televisão é já amanhã!



Boas a todos, amanhã a modalidade que tanto amamos vai ter lugar de relevo num programa de televisão que estará em directo no canal 1 durante a tarde. Não percam. Este é um momento muito importante para a modalidade.
Desejamos que tudo corra bem e que os intervenientes representem bem a modalidade. Um abraço ao Pedro Pereira ( PJPESCADOR) que vai estar presente. Ao meu amigo João Borges que como sempre represente bem este amor que temos em comum.
Quem quiser fica aqui o cartaz.





Workshop Pesca - Integrado no dia Verde - 26 de Maio de 2012 - Marginal Tejo frente ao Jardim do Museu da Electricidade - Lisboa - Belém

Memória Descritiva:

Descrição: Exposição dos conceitos de pesca lúdica e desportiva; Divulgação de boas práticas de pesca e a sua importância na conservação/preservação do meio ambiente; Espécies alvo; Exposição dos tamanhos e pesos mínimos de captura e a importância de respeitá-los, para a sustentabilidade dos recursos; Apresentação de materiais e iscos vulgarmente utilizados; Demonstração prática e ajuda ao praticante na assimilação dos materiais de pesca e iscos; Apoio ao praticante em acção de pesca; Apoio no retirar o peixe do anzol e caso não respeite as medidas ou pesos mínimos de captura, na sua devolução ao meio.

Inscrições: 30 Participantes em grupos de 10. Workshop de 90 minutos (30 minutos 
para cada modalidade de pesca). Actividade contínua.

Inscrições em : http://www.verdemovimento.com/

das 14 h às 20h - Zona 12

Organizador: ANPLED

Quarta-feira, 23 de Maio de 2012

Corvinas no tejo, parte II: Uma corvinassa para Juvêncio Pires!

* Parte II

Pois é pessoal, a paragem da maré e início da vazante ou enchente, altura mais "lucrativa" na pesca ao fundo às corvinas estava a chegar e nós estávamos lá...

Comemos qualquer coisa e preparámos as canas, duas com choco fresco, uma com caranguejo e outra com um vinil a trabalhar sozinho... A maré virara, e apenas um charroco me calhou... Confesso que desanimei um pouco, estava muito cansado, a directa moeu-me o corpo, o frio gelou-me a alma, e a moleza apoderou-se de mim. Com o sol a desabrochar o sono começou a vencer-me e deitei-me no barco e fechei os olhos, o Palma deitou-se na bóia lateral do barco e lá descansámos um bocado. Passada uma meia hora, lá abrimos os olhos e resolvemos renovar as iscadas, que estavam intactas...

O relógio marcava as 2 horas e a maré já levava cerca de 40 minutos após a viragem e eu já não tinha muito tempo até ter que me ir embora... Lançamos novamente com iscadas novas e ficámos à espera... e finalmente tive uma cabeçada vigorosa, e rapidamente agarro na cana, peixe ferrado, e rapidamente percebi que era bruto, não corria... Hmmmm, não devia ser corvina, mas fazia muita força, dava muitas cabeçadas e chegou a levar linhas algumas vezes... Tive calma até o trazer perto do barco e apesar da falta da corrida tradicional que os predadores dão como é o caso da corvinas, ainda esperei que fosse alguma com menos "pica" e tive cuidado. Charroco não me parecei, só se fosse algum charroco mutante. Quando finalmente o peixe sobe e o consigo ver, já o Palma estava de chalavar na mão, eis que se tratava de um grande exemplar de safio... Fiquei fulo. Lá refilei para o ar, o Palma ria, e eu era só asneiradas, e só pedia para ele se soltar, e eis que por entre um desses pedidos, já ele estava muito perto e a chumbada fora de água, o gajo solta-se e lá foi à vida dele. Fiquei tão danado que nem me apetecia lançar mais, mas tinha ainda uma hora e tal, e,olhem lá continuámos...
 Canas lançadas, votos renovados, mas eu estava mesmo sem pica, o corpo dizia-me " estás a abusar" e pousei a cana no barco, não a prendendo no tubo próprio. Deitei-me com novamente e o Palma fez o mesmo na bóia lateral. Fechei os olhos e aproveitei aquela aragem e a moleza fez-me passar pelas brasas. Abri os braços e estiquei-me todo, ficando o braço direito por cima da cana.
Devia estar a sonhar com alguma coisa boa, pois estava a saber muito bem, quando do nada sinto duas mocadas no ombro... PUM PUM! Quem seria? Levantei-me alarmado, ainda longe de saber o que me esperava! A fé era tão pouca, talvez fruto do cansaço que sentia, pois até costumo ser mais crente do que o Palma, que pensei logo num charroco mutante, ou algum safio com upgrade sei lá. Tudo menos o que era... Longe de imaginar que iria ter os melhores 20 minutos de pesca que tinha tido este ano até aquele momento. Agarro na cana, e sinto os toques, normais até, quando dou aquele safanão para trás e  de repente solto o fúria do predador!
Por entre um arranque avassalador, os meus braços ficaram em pedra, agarrando a cana que tentava aguentar a corrida desenfreada do predador. O drag esse, ZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZ, disparou loucamente, a linha dava a volta ao barco a uma velocidade louca, e eu tentava perceber o que o peixe me transmitia. Ora para a esquerda, ora para a direita, a Corvina( naquele momento não tinha qualquer dúvida disso), levava-me ao limite, ao êxtase.A minha velhinha XTRA-BOAT da Prosagus, tornava a sentir aquilo que tanto sentiu já fazia muitos anos, no tempo em que vinha ao mar com outro grande amigo de quem tenho muitas saudades, do João( se algum dia vires o nosso blog, por favor contacta-me. Espero que estejas bem amigo).

Por entre aquelas arrancadas, fui, digo-vos curtindo muito, mesmo muito. Aquele momento, vale por um ano, vale por dois, vale por tudo. Passamos anos à espera de sentir algo assim na cana, e nem sempre aparece. Nem sempre temos lutas tão boas. Se o trazia ou não já era um pormenor que embora me importasse, já em nada me tirava aquela sensação. Tinha sentido um peixe de grande porte, e logo naquela cana tão macia, e quando não estamos à espera as coisa parece que sabem melhor...
Eu subia ás bóias do barco, ia pedindo ao Palma que desviasse canas, que me deixasse passar, e o peixe ia lutando pela vida, e eu, ia lutando para o tirar... Momento fantástico!
Quero ressalvar um aspecto. Pescar às corvinas no barco tem prós e contras. Mesmo eu considerando que tem mais prós do que contras, tem um aspecto a meu ver mais complicado. Não temos os pés no chão, não temos o centro de gravidade controlado. O barco abana, e ainda por cima somos obrigados a nos deslocarmos num curto espaço( ainda por cima o barco é pequeno). Não se pode ter tudo!


Já o peixe estava perto e eu desejoso de o ver, peço ao Palma que se preparasse para o momento final.
As águas estavam tão tapadas que não se via patavina. Nada. A chumbada já ao de cima de água e ela( por acaso veio a verificar-se ser um ele), puxava pelo estralho para o mais longe do barco possível, e ia dando os últimos arranques. Eu ia dizendo ao Palma que não ia esforçar em nada o peixe, e que seria ele a decidir o fim da luta. Mais uns minutos de sucessivos arranques e lá a vimos a vir ao de cima pela 1ª vez e vimos logo ser um grande peixe. Resolvi mesmo não a esforçar. Queria mesmo tirá-la. Tinha 2 situações atravessadas dentro de mim. Cicatrizes da vida. Uma delas tinha que ser resolvida ali, naquele momento.


Já passados uns 20 minutos pelo menos, não sei bem, eis que ele sucumbe e vem ao de cima, virando a barriga de lado. O Palma, bem, põe-o rapidamente dentro do barco, e eis que estava feito. Estava cá fora uma linda corvina. Os olhos do Palma brilhavam, os meus também, mas uma profunda tristeza que não quis que o Palma se apercebesse tomou conta de mim. Sabia bem o significado daquele momento.
Voltemos à pesca...
Faltavam minutos para ter que me ir embora, mas depois daquele peixe, tínhamos que lançar mais uma vez... Iscadas generosas, como manda a regra, e pimba lá para dentro.
Em segundo, tornámos a ter mais 2 toques, e a do Palma ferrou. Estava lá,dizia-me ele, e mesmo não sendo do mesmo porte, nem sequer uma burra, era já uma captura interessante. Em dois minutos o Palma trouxe-a até perto do barco onde eu ainda encarreguei-me de o ajudar, e em vez de a pôr dentro do chalavar à primeira, dei-lhe foi duas mocadas na cabeça, lololol( agora posso me rir, ela não fugiu eh eh eh) e após isso, lá a pus a seco.


Felizmente fizemos o gosto ao dedo, e ambos viemos realizados da pesca. Já estava muito em cima da hora e tinha que me despachar. Por entre o caminho de volta foi tempo de falar comigo, de pensar em algo que o ano passado tentei tanto e que não consegui resolver.

Não tenho por isso mais para vos contar sobre esta pescaria, apenas dizer que chegámos bem.

Existe no entanto um sentimento especial neste relato, e nem sei bem porque o partilho, ele não o pode ler...
Esta corvina é dedicada ao senhor Juvêncio Pires.
Faz por esta altura pouco mais de ano e meio que na família ficámos alarmados com queixas que o senhor Juvêncio Pires foi apresentando e após muitas tentativas lá o levámos para o Hospital.
De lá já não saiu. Quando o ia visitar, com muita esperança de o ver bem, brincava com ele, e quando ele pedia para ir para casa, pois não gostava de lá estar embora mal se aguentasse em pé, respondia-lhe que só quando conseguisse realizar três tarefas que eu tinha estipulado eu o deixava sair...Tinha que correr 2 voltas à roda do hospital, tinha que me arranjar o número das enfermeiras mais jeitosas, boazonas mesmo lol, e tinha que comer o covinão enorme que eu lhe ia levar, cozidinho pela minha mãe. Eu abria os braços e dizia que ia apanhar uma assimmmmm:


 Ele fraco, sorria com aqueles sorrisos de gozo, uma cara que ele fazia, de quem acha que o estás a enganar, e dizia que "alguma vez vais apanhar isso", e eu dizia-lhe que sim que ia e que ele ainda ia ficar surpreendido comigo.
Os dias eram curtos por essa altura, embora estivéssemos no Verão, lembro-me de ser Hospital, Hospital e pouco mais. Algumas noites ia tentar capturá-la, quando sentia vontade ou quando a mente o pedia, e foi nesse mês, que juntamente com o meu tio e com o Filipe João que perdemos duas corvinas que seriam os nossos record´s e provavelmente os record´s de uma vida e a oportunidade de cumprir com a minha promessa.
 Após 2 AVC´S ele já não me dizia que eu não ia apanhar a Corvina, apenas sorria, e eu continuava a pedir-lhe que lutasse, e continuei em busca de algo que nunca mais me foi a cana.
No último dia, uma conversa com uma médica fez-me perceber o que estava para vir. Nesse dia percebi que não iria cumprir com a minha palavra. Nesse dia percebi que nem sempre podemos cumprir com as nossas promessas. Por tudo isso, a cicatriz ficou e fica para sempre.Mas hoje posso dormir melhor pois finalmente consigo "entregar" o que prometi.
 Esta é para ti. Continuo a fazer o que mais amo, como aprendi contigo e com os tios lá na Culatra em menino.





Desculpa o atraso, não o consegui antes avô.

Segunda-feira, 21 de Maio de 2012

Corvinas no tejo, parte I: Um estuário em forma de baliza após um final de tarde insólito!


Boas malta,

Venho desta feita relatar uma pescaria às corvinas que fiz mais o Palma, uma pescaria muito penosa para mim fisicamente.



Tinha combinado com o Palma uma pescaria às corvinas ao final de tanto tempo de interregno, e a pica estava lá toda, pese embora eu sinceramente tivesse dúvidas do sucesso da pescaria, principalmente por causa do frio que nos acompanhou durante os últimos 2 meses.
A temperatura tinha subido, e isso seria um óptimo sinal, mas estava com dúvidas sinceramente se o calor em apenas 2 dias, tinha sido suficiente para chamar peixe... Bem a esperança é a última a morrer...

O que trocou as voltas a isto tudo foi o facto de eu ter também marcado uma pescaria de praia para a noite anterior, e em pleno auge do calor ter feito uma grande caminhada pela Fonte da Telha em busca de qualquer peixito. A amizade que tenho com o Guilherme, faz-me sinceramente sempre que posso ir a pesca com ele. Não dispenso a sua companhia. É mais um verdadeiro amigo que a pesca me deu. Existem certas atitudes que definem o valor das pessoas, e eu tenho tido imensas provas disso.

Bem continuando, porque a história vai ficar gira, é melhor sentarem-se, porque esta é do melhor que já vivi!
Quando chegámos à fonte da telha, os cabeços com fundões estavam longe, e tivemos que dar à sola, sendo que à medida que fomos andando só se via era o Naturismo, lol. Bem, por entre tanta gente a aproveitar o imenso calor que se fazia sentir parámos entre dois casais de namorados. Bem em algum lado tinha que ser, e via-se gente até à zona da mina...

Daqui nada de especial, montámos a tralha, estávamos cheios de esperança, a água com uma cor brutal, aquela cor que eu adoro para a pesca dos sargos à bóia, e em cada lançamento, a espera fazia valer a pena. Estendal montado, cadeiras, bem tudo nos trinques... Mas peixe, nada!
Continuou a nossa luta, por entre os casais de namorados naturistas que jogavam às raquetes e outros jogos que tais, lol.

O sol começou a pôr-se e toda a gente se pôs a mexer, com excepção do casal da esquerda, que lá continuou e bem a aproveitar o melhor momento da praia a meu ver... Aquela brisa fenomenal, que se sente naqueles dias de calor estão a ver? Simmmm, essa mesmo. HMMMM!

Bem, como calor havia diminuído, pedi ao Guilherme um cafézinho, e lá comecei a mexer o café, e só via o Filipe João a sorrir sorrateiramente, mas nada dizia... Hmmm, estranhei mas lá continuei na galhofa com o Guilherme, e o Filipe sempre com um sorriso escondido.
Bem, bebo o café, vou pousá-lo e viro-me meio de lado, e ao fundo no inicio da zona florestal vejo um tipo assim, digamos a fazer o seu chichi! Viro-me e continuo na minha vidinha, vou lançar as canas, eles só ratavam o casulo de resto mais nada, choco e caranguejo nem tocavam, e torno a sentar-me e continuo na conversa com o Guilherme. O Filipe continuava de roda do material e ia se rindo, epa e eu dizia para o Guilherme " bem ele está em altas", e lá resolvo ir buscar a mala térmica do isco quando... O tipo, aquele do chichi, continuava a fazer chichi! Viro-me e digo para o Guilherme, epa... Olha lá, está ali um tipo a bué a fazer chichi, o Guilherme vira-se e desata-se a rir que nem um perdido, eu olho e!!!!!!!!!!!!! Fonix, Então não é que... Mas o gajo está mesmo a..., ai, não posso crer! Bem eu ria-me que nem um perdido, o Guilherme também, o Filipe João numa boa, só diz: " Ao tempo que ele está ali naquilo, é mesmo apanhado". Bem, não vos contei um pormaior... É que no meio disto, aquele casal de namorados por acaso era o único que estava vestido ali da zona, e... o tipo estava em calção, t-shirt ao ombro e em plena loucura, parado uns metros atrás, numa boa despreocupado de estar a fazer aquilo com toda a gente a ver... Nisto diz o Gilherme, "olha lá o tipo está excitado não é com o casal de namorados, é com a Steel Power e com o aero technium XT que estão mesmo em frente a ele... Bem foi rir até não aguentar mais. Que granda maluco! O que a crise faz à tola do pessoal.

Bem desculpem este momento, mas tinha que contar este caso insólito, não me passava pela cabeça me acontecer uma destas.

Sobre esta pescaria, porque não deu nada de especial, e porque não levei máquina, não tenho muito para vos dizer. Deixo apenas duas dicas: A Fonte da Telha está sem água, ficámos a pescar em seco em apenas duas horas após a praia-mar. Não vale a pena assim.
Outra, é cuidado com o que têm atrás, lol, não vá o tipo andar alvorado!

Bem, mas deixem-me dizer que a pescaria ficou nas 3 horas que tivemos água, em 6-0 para o Filipe João, com 4 sargos, 1 robalito e uma baileca. Eu e o Guilherme, NADA.

A esta hora estão vocês a dizer, então, mas... O relato não era de corvinas? Sim era, mas é que isto foi uma pescaria tipo 24 horas le mans...
Saí da Fonte da Telha, fui a casa, agarrei no material para o spinning e fundo às corvinas e lá fui eu ter com o Palma, eram 5 e pouco da manhã.
Cheguei estoirado, mas estava combinado e lá fui eu... Canas montadas, barco na água, e fomos direitinhos à ponte Vasco da Gama...
Quando lá chegámos parecia que estávamos no meio de autênticas balizas... Ali, com uma defesa daquelas, ninguém marcava um golo... Estávamos muito em cima da hora, perto da praia-mar, ir em busca de outro local era perder a hora da paragem da maré, a hora que para mim é melhor na pesca das Corvinas.

Escolhemos um canal, por entre as centenas de metros de redes que avistávamos, assim, meus amigos é muito complicado... Quando entramos num canal para parar perto do Pilar 6 da Vasco da Gama, o que nos acontece... Os barcos dos senhores das redes, de um lado e do outro fecham literalmente todo o canal, ou seja, redes de uma ponta à outra, fazendo um cerco, nada entravam, nada saía...


A esperança agora residia em capturar alguma corvina que estivesse já dentro do canal e que ao fazer o trajecto antes de morrer nas redes avistasse o nosso isco e nos desse uma alegria...
Fundeámos, e pusemos duas canas ao fundo com choco fresco, uma com caranguejo de 2 cascos, os estralhos sempre de 0,50mm mínimo e com 2 a 3 metros de comprimento, e com as outras duas, vai de vinilar... Escolhi cores fortes por a água estar mesmo muito tapada e por serem cores muito efectivas no estuário.


Experimentei a Storm Ultra eel rosa, azul, laranja, e um shad amarelo Neon, mas sem qualquer efeito.
A cana do fundo entretanto dá uma pancada, agarro na cana, e... cabeçadas, cabeçadas, nada de arranques, hmmmm, só pode ser... Claro, obviamente, um belíssimo tamboril do tejo, o famoso Charroco...
Iscada intacta, peixe libertado, cana para a água... Assim que lá cai, pimba outra martelada, o que seria? O que seria? Pois é, o irmão do Zé Charroco, este ainda maior, ai ai ai!

Bem, reforcei a iscada, e pimba lá para dentro, e passados minutos, mais uma cacetada, era outro charroco, este libertou-se sozinho perto do barco... Bem, estava a ser muito engraçado... O Palma só me gozava, era o Rei do Charroco do Tejo, e passado pouco tempo lá capturámos mais um cada um... A maré virara e estava já a correr muito, quando decidimos levantar e começar a dar no trolling...
Bem entre isto para vos dizer que o Windguru dava vento de 5 nós e muito calor, e estava um frio do caraças e um vento moderado, estava completamente gelado. Fogo, não dormi, não apanhava peixe, passava frio, haviam redes por todos os cantos, bem que mais ia eu passar... Canas na água, cores das rapalas garridas, sempre muito coloridas, com tons laranja, amarelo, e verde neons, e lá fomos nós a trollitar, lol, até chegar ao Barreiro... E Nada.
Do mal a menos, o vento ia parando, e nós lá revigorámos... O tal calor, os tais 31 graus que davam finalmente, apareciam... e de repente o rio ficou como eu tanto gosto. Mar espelhado, sem vento, tempo abafado mas algo tapado, aquele tempo que chamamos de doentio.

Faltavam 2 horas para a maré vazia, e já não valia a pena ir para muito longe... O Palma escolheu lá um spot, perguntou-me se eu achava bem, e eu como andava para me encostar ali a um cabeço que passados poucos metros cria um fundão enorme, resolvemos vinilar um pouco, e por as canas ao fundo pois como se tratavam de marés pequenas elas corriam pouco e ainda dava para aguentar as montagens.


Novamente insistimos em cores vivas, e o rosa e o laranja com amarelo foram as cores de vinil que mais tentámos, e por entre lançamentos lá nos surge uma alegria... a tal Ultra EEL Pink Fabulous como lhe chama um amigo meu, fez das suas e lá sacámos uma corvinota que ao menos nos fez sorrir um pouco.



Tínhamos combinado uma pesca às corvinas e só tinha dado charrocos, estávamos algo frustados, e qualquer coisa naquele momento sabia bem. Obviamente que não era bem o que queríamos, mas epa... O gozo pela pesca, está no convívio, no bem estar dos amigos e depois naquele momento particular da captura de um exemplar. Ainda hoje os olhos me brilham só de puxar a linha com um peixe cravado. Simplesmente adoro a sensação. É um momento único e que define o entusiasmo que sinto quando vou à pesca.



A realidade é que ainda tentámos um bocado mais de roda dos vinis, mas eles não pegavam, estávamos os dois com uma granda moca de sono, e aproveitando a corrente, lançamos os vinís e deixámos-los a trabalhar sozinhos a meia água. Aproveitámos para descansar um bocado antes da paragem da maré, que viria a ser a última tentativa para capturar qualquer coisa...

Continua, Parte II.


Domingo, 20 de Maio de 2012

Sert 2012

Catálogo da marca francesa representada pela Magospesca em Portugal para 2012

A marca apresenta como especial artigo para este ano a cana de surfcasting 
Sert Sunset Hispex


Sexta-feira, 18 de Maio de 2012

Titas

Titas/Bibis

Descrição: Também conhecido por Bibis e Salsicha, é um Anelídeo de grande consistência vindo dos Algarves, mas oriundo do Vietname. Com um aspecto duro e largo muito parecido com uma salsicha. A Tita pode atingir tamanhos superiores a 15/20 cm de comprimento. Considerado por muitos pescadores como um dos melhores iscos para a pesca ás Douradas, não excluíndo outras espécies. O facto de ser uma isca muito resistente, permite ser utilizada nas situações mais adversas, vindas seja do mar ou da dureza dos lançamentos. Isca muito selectiva no que a capturas diz respeito, raramente são sentidos toques de peixe com menores dimensões.

Quatro Titas com um tamanho reduzido.

Conservação: Uma isca que se consegue manter por volta de uma semana, não se pode sujeitar a temperaturas muito baixas. Eu por hábito deixo de dia no frigorífico e pela noite deixo-as a apanhar ar. Também tenho conhecimento que muitos pescadores congelam as Titas com água do mar e são reutilizadas, neste caso é aconselhável iscar em tiras como é explicado mais à frente. Também podemos utilizar um recipiente com água do mar e um oxigenador, neste caso temos de ter atenção para que sempre que uma Tita possa rebentar temos logo de trocar a água e remover a que morreu. Se não dermos atenção a esta ultima acção corremos o risco de morrerem todas.











Técnicas de pesca mais frequentes: Existem muitos pescadores que a utilizam na embarcada mas também com grande utilização na pesca ao fundo. No meu caso dedico a sua utilização no Rockfishing e Surfcasting onde apresentam excelentes resultados.

Espécies alvo: Douradas, Sargos e também Robalos, este ultimo nunca apanhei com esta isca.

Dificuldade de captura: Elevada, não tanto pela dificuldade da captura, mas mais por ser um isco local e não existir em muitos pontos do país. Encontra-se principalmente por terras Algarvias, e zona centro do país. Para a sua captura nestas zonas onde se encontram, existe a necessidade de se cavar grandes buracos até chegar a elas. É ainda um isco pouco comercializado.

Venda ao público: Tal com foi anteriormente referido é uma isca que se encontra mais facilmente e de bom tamanho, no Algarve. Na zona centro/sul do país vamos conseguindo obter esta isca através de encomenda, visto não ser uma isca muito procurada, as lojas não tem com muita frequência. Mesmo quando conseguimos encontrar são de pequenas dimensões.
Os preços praticados aqui pelo Seixal são de cada caixa com sete Titas e ronda os 2,5 euros, mas existe quem venda a 4 euros a caixa.
Nos tamanhos de maior dimensão são vendidas à unidade, chegando a custar 2,5/ 3 euros cada unidade.


Uma das formas de acondicionamento com que são vendidas.

O que mais aprecio: Sem duvida o facto de ser um isco resistente, aguentando as investidas dos peixes de menor dimensão, o que aumenta a possibilidade de ferrar um bom peixe mesmo com a "pequenada" por perto.

O que menos aprecio: A dificuldade de iscar vivo, o seu preço tendo em conta as dimensões das Titas que aparecem pela nossa zona.

Iscagem: Nesta primeira imagem, a Tita é perfurada com uma agulha de iscar sardinha ou uma agulha que permita passar a linha no seu interior e depois inserida pelo estralho e não pelo anzol. Com esta forma de iscar temos mais possibilidades de não ferir o Anelídeo e fazer com que perca o liquido que lhe confere mais consistência. Sem duvida que dá muito trabalho, existe quem faça as iscagens em casa e depois são transportadas num balde com água do mar. Desta forma, basta arranjar um recipiente com água do mar no fundo. 15 anzóis previamente empatados, os de argola pequena mostram-se mais fáceis de passar a isca. Tentem calcular bem as iscadas para não estar a fazer a mais, feitas as iscadas colocamos a Tita dentro do recipiente com o estrálho de fora. Para facilitar na deslocação do balde sem os estrálhos se enrolarem, colocamos um elástico largo ou um cabo atado à volta do recipiente para fixar os mesmos.

Como eram pequenas, foram colocadas duas para ficar composto.

A outra forma de iscar é cortando a Tita longitudinalmente, isto quando tem um tamanho considerável, em tiras que depois são enroladas numa agulha de iscar e acondicionadas com linha de silicone. Neste caso as tiras são enroladas com o que era o seu interior virado para fora, isto permite soltar mais odor ao entrar dentro de água. Existem muitos pescadores que consideram esta a melhor forma de iscar. Como podem observar, basta uma tesoura, uma agulha adequada e linha silicone para que possamos efectuar esta iscada.



Nunca esquecer que as tiras que fizemos para a nossa iscada, deve ser sempre enrolada à agulha com o interior virado para fora, não tem nada que enganar.

Já cortadas com o que era o interior virado para cima.

A Iscada final fica com este aspecto, muito atractivo para os exemplares que procuramos. O único contra é que já vamos sentir mais toques de peixe pequeno mas a isca tem consistência para dar conta do recado.

Iscada com duas Titas pequenas cortadas em tiras.

Desta forma penso já ser possível, para quem não conhece, começar a utilizar esta isca. Posso dizer que tem grandes resultados entre os pescadores que lhes dão uso e nós também não nos podemos queixar.

Um grande abraço para todos.