Os nossos amigos

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Era inevitável lá voltar... os Robalos andam a colaborar

Esta semana, o peixe tem sido muito generoso a aparecer no caminho do Scookie. Este Semi-rigido de 4,3 metros de comprimento faz uns estragos no Tejo, só mesmo vendo.

A pescaria anterior tinha sido muito boa, as expectativas eram grandes mas com a consciência de que não se repetem grandes pescarias em todas as vezes que lá vamos tentar a sorte. A pesca tem razões que a própria razão desconhece e o Sookie anda de mão quente tentando quebrar todas as expectativas. Estamos de volta a um pesqueiro que nos tem dado boas alegrias por isso a motivação de que vai ser um dia com muito peixe está sempre presente, o pesqueiro merece.

O caminho não é muito grande mas o suficiente para preparar as coisas e delinear a táctica. A verdade é que as marés mudam todos os dias e o pesqueiro também não é muito certo pois dá peixe em todos as circunstâncias. Estes últimos dias tem mostrado isso, por vezes é quando menos esperamos que se dá o "descalabro".


O dia estava assim...
 Era mais um dia a fazer o que mais gostamos, estar com os amigos a pescar e no barco conseguimos ter mais alguma tranquilidade que por vezes, devido à lotação dos pesqueiros, é muito difícil de encontrar. Não gosto de muita confusão na pesca e por hábito vou pescar sozinho ou com uma ou 2 pessoas no máximo. existe excepção a esta regra sempre que existem convívios mas até isso se torna raro.

Voltamos ao corrico embarcado, pois estava para se dar inicio à faina, já no local era hora de jogar o plástico para dentro de água e esperar mais um bom dia de pesca. Vamos a eles que estou com fé que hoje a coisa vai se dar, começa a ser difícil arrancar para este "santuário de Robalos" sem levar esperança de uma grande pescaria e não demora muito para a minha cana "dizer que sim", Agarro na cana e sinto logo o peixe a fazer alguma força mas sem nada de mais. Facilmente é recolhido, o primeiro peixe estava no papo, um robalote  de quilo e tal. Belo peixe para começar e sem ter de esperar muito.


 Passou-se algum tempo na conversa enquanto as amostras trabalhavam a todo o gás, mas o tempo ia passando e nem um toque se sentia. O Palma mantinha a mesma táctica mas eu decidi mudar a amostra para uma mais berrante, não estava a dar nada com a matadora havia que alterar a cor. Ponho a amostra dentro de água e a meio da passagem sinto um toque porreiro, dos que já fazer cantar o carreto com voz de se ouvir. Este já é porreiro Palma, ajuda ai que o gajo está a bater-se bem. Um pouco de calma e o peixe mostra a cor, já era porreiro e estava a seco, já era maior que o outro e apanhado com uma amostra diferente.


O palma aproveita para trocar a amostra e opta por dar uma passagem com as rapalas coloridas  enquanto eu mantenho a minha mas já com vontade de voltar a trocar. Com 2 peixes no barco não sentia o Palma muito motivado, não pelo motivo de não tirar peixe mas por alguns pensamentos que o deviam andar a chatear, era dia em que estava à pesca mas ao mesmo tempo com situações de trabalho para resolver que o iam distraindo.

O tempo passava e volto a trocar a amostra. Peço ao palma para abrandar o barco para que pode-se trocar de plástico. Era hora de apostar noutra cor para ver se saía um peixe. Bem dito bem feito, o carreto desata a cantar como se não houvesse amanhã. Com a cana na mão ficava a ideia que estava lá algo com muita força, os arranques eram muitos e cada vez a levar mais linha da bobine. Já olhava para o carreto para ver se não acabava a linha, é certo que não esteve perto disso mas estava a ser o peixe apanhado no pesqueiro que mais luta estava a dar. Estava visto que tinha-mos pano para mangas pois o que lá estava não queria entregar os pontos. O palma aconselha muita calma porque podia ser uma Corvina grande. O certo é que o tempo passava e não conseguia por os olhos no peixe, sempre que o conseguia trazer para perto do barco com a ajuda do Palma, o peixe voltava a arrancar que nem um maluco, passava por baixo do barco fazendo com que tivesse-mos que mudar as posições mais do que uma vez. Certo de que a força do peixe não iria durar para sempre, era preciso manter a calma porque já começava a vir para perto do barco com menos esforço, Mais 3 ou 4 cabeçada e decide subir para se deixar ver, ambos ficamos muito admirados, era um robalo já de bom porte mas que não se justificava ter tanta força visto que se tirou maiores sem darem um quarto da luta, marcava 2,5 quilos.


Este sim tinha-me cansado o braço,  Era tempo de descansar um bocado, já se estava a aproximar o fim da pescaria e o cansaço acumulado dos dias anteriores já que fazia sentir.
O palma continuava em branco, o que não é muito normal, estava visto que neste dia ia trabalhar para mim, tirar fateixas do peixe e arrumar o peixe no devido local, ehehehehe
Já muito perto do fim volto a ferrar mais um peixe, bem porreiro por sinal querendo se aproximar do 2 quilos. Estava contente com os 4 peixes que tinha tirado mas faltava o meu amigo sentir o carreto cantar. Mais rápido o Palma dissesse que hoje não ia apanhar nada e a cana dele dá sinal, para despedida livra a grade com um robalo de quilo e pouco. Estava feito o dia de pesca, havia que recolher as coisas e vir descansar, já havia uma boa pescaria no barco em que se fez o regresso animado em especial para mim que nesse dia difícil de pesca consegui enganar os gajos com a brincadeira de trocar de amostras várias vezes.
Quando pensamos que a pesca se baseia numa ciência exacta, fica a ideias de que por vezes podemos fazer um pouco mais, nem que seja a mudar qualquer coisa que altere o que não está a querer funcionar.

Fica mais um registo no nosso diário de mais uma pescaria bastante engraçada onde foi possível fortalecer a amizade com o meu amigo Palma que não arrancou para casa sem voltar a dizer que dentro em breve estava-mos lá novamente.

Um abraço para todos,

Nuno Fernandes, Ricardo Palma

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Robalos ao trolling, o princípio de uma era

 Olá a todos,

Vou tentar descrever tudo como sinto, neste tipo de pesca, onde por incrível que possa parecer, e por muito que se pense que é somente sorte, posso garantir que não é. A sorte existe amigos, é verdade que sim. Mas a verdade é que tal como acontece numa profissão, ou em treinos físicos, é a dedicação e continuidade que nos fazem evoluir e cada vez mais encontrar um caminho que me permita saber em cada dia, quando e onde posso garantir resultados.

Muitas vezes e em parte com razão, se diz que o trolling é andar de barco com as canas dentro de água às voltinhas e esperar que alguma coisa lá se atire. Bem já me aconteceu, mas na verdade comecei a garantir melhores capturas quando comecei a procurar perceber este tipo de pesca.

Um dos segredos e é aquele que vou deixar hoje no "ar", passa por saberem sempre bem qual a profundidade de cada local onde fazem este tipo de pesca. Depois passa por adaptarem as amostras que usam a essas mesmas profundidades, sabendo que é mais difícil garantir uma amostra que sonde o fundo, do que o inverso.

Tenho andado com uma fome de pesca enorme, sempre com muita gana e vontade em ir lá...
Ao ver o tempo tapado e doentio resolvi fazer-me ao mar.

Comecei como sempre logo ao entrar dentro de água, e escolhi uma das minhas preferidas, a X-RAP Fire tiger da Rapala. Percorri o caminho de sempre quase sempre nos 6/7 metros entre os 2.5  e  3.5 nós e não tive qualquer resultado, sendo que fui trocando em quase todas as canas, e fui pondo as Storm, Cormoura Deep Trembling, e claro as Yo-zuri... Nada... Não consegui sentir nada e resolvi sair mais para fora, para zonas mais fundas e procurar  se o peixe estava fora. Ao chegar apercebi-me de algumas correntes com remoinhos na zona e procurei sondar a zona, que tinha 10 metros de profundidade. Escolhi logo para uma cana a deep trembling, e para a outra uma das yo-zuri, a cabeça vermelha.


Dei a volta e meti as canas dentro de água a aproveitar a corrente e fui ao sabor dela, deixando que ela me escolhesse a "sorte". Tentei manter toda a atenção nas canas, mas não é fácil manobrar uma embarcação enquanto se pesca, isto obriga a uma habituação progressiva.
Estava a meio de canal quando uma das amostras leva uma grande cabeçada e fiquei logo alerta, mas não tornou a dar sinal. Provavelmente uma alforreca, pensei eu. E tornei a regressar ao início do percurso e novamente no mesmo local... Pum! Bemmmmm, mas estão a gozar ou quê??? E toca de dar terceira voltita ao local, e sempre na mesma zona, Pum, Pum... mas desta....Pummmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmm e muito enrascado, tentei parar logo o barco, ia caindo à agua, desequilibrei-me todo, agarrei no varandi, outra mão na cana e senti o peixe ferrado e toca de puxar ao bichinho. Que grande alegria... Dou uma gazada no barco e toca de voltar ao sitio e fazer o mesmo percurso e a meio do caminho, Pum, Pum, Pummmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmm Toca a parar o barco e a rebocar o bicho sempre com ele a lutar bastante, com muitas cabeçadas e arranques fortes. Um belo robalo, gordooooo. Muito bom.



Talvez com uma enorme gula, com vontade de apanhar mais uns quantos, toca de meter ambas as canas com a mesma amostra e tentar mais um macaco. E adivinhem??? Estava a meio do percurso e de repente... Pum? Ok ZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZ toma lá outro... sempre a bombar! Já estavam 3 macacões dentro da arca. Grande amostra, merecia uns quantos beijinhos, mas ia me picar, ahahah!

Rapidamente toco a meter a menina na água e de repente ZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZ
 Xiça tinha a boca aberta? Nem tive tempo de voltar ao mesmo local. E estavam 4. Resolvi voltar na mesma ao início na passagem seguinte nada... Teriam bazado? O que fiz eu mal? Mesma amostra, mesma velocidade( nós), mesma distância das amostras (+ -)...

Meio confuso resolvi dar a volta novamente e procurar fazer o mesmo percurso... E nada...
Parei para pensar... A maré estava a subir! É natural que eles dispersem mais, que saiam mais da zona... E seu fosse então um pouco mais para dentro agora caso eles tivessem encostado? Bem, foi o que fiz e assim que chego ao local, ponho as amostras ao banho e num instante sinto uma trombada na cana e ZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZ, este deu menos luta e ao chegar perto vi que era do lote menor, e tornei ao início e novamente amostras na água... Mas nada. Olhei para a arca, já muito composta, com 4 bons tarolos e pensei que podia terminar ali a pesca. Já tinha valido a pena. Como estava a ficar tarde, agarrei e fui me despachar.
Ao chegar a terra, os problemas do costume. O sr. Filipe se fosse tão bom pescador como é fotógrafo, ninguém o levava à pesca. Atão o cab... cortou-me metade do corpo e  2 dos peixes na fotografia? Fonix. Enfim, nem vale a pena... No Natal fazemos um peditório para ele me tirar um curso, ou então comprar uns bons óculos para focar as pessoas nas fotografias lol lol lol lol . . .




Bem... Aproveitem os peixes, espero que tenham gostado. Até breve, assim o espero!

Material:
Canas: Biomaster Spin 3,00 mt. , Speed Master AX 3,00 mt.
Carretos :Biomaster 4000 FB , Symetre 4000 FJ
Amostras: Rapala,  Storm, Cormoura ,  Yo-zuri

Ricardo Palma

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Carta de Marinheiro/Patrão Local/Patrão de Costa/Patrão de Alto Mar

Por uma questão informativa e por na equipa existirem alguns elementos com esta carta, vamos deixar aqui alguns pressupostos destas cartas, e o que é necessário para se tirar estas cartas.

As 4 cartas( Marinheiro/Patrão Local/Patrão de Costa/Patrão de Alto Mar) têm como é natural diferentes dificuldades e benefícios. A maioria dos pescadores apenas tira a carta de marinheiro ou patrão local, mas cada vez mais se vêm pessoas com vontade de tirarem um grau acima para poderem estar mais à vontade em termos de navegação.

As grandes diferenças destas cartas na prática passam pela diferença que existe entre cada uma na liberdade de distância entre os portos de abrigo. Quanto mais alta for a carta mais distante podemos estar, e mais apetrechos podemos utilizar.

A maioria das pessoas quando pensa em tirar uma carta apenas a quer tirar, esta é a realidade, mas confesso que pessoalmente senti necessidade de aprender algumas directrizes fundamentais. Desde pequeno que respeito o mar e me habituei não a temê-lo mas a tentar compreende-lo, e é de uma irresponsabilidade inaceitável sair-se para o mar, sem se saber o mínimo que garanta a total segurança de todas as pessoas que levamos a bordo.
Talvez por isso, hoje me sinto feliz por ter tido um curso que me permitiu aprender muito. Ainda gostava de ter aprendido mais, e provavelmente daqui a uns tempos faço o de patrão de costa.

Este post serve por isso também de agradecimento aos formadores que tive, e que me ajudaram sempre muito, mesmo em termos de motivação para atingir os objectivos, isto com tão pouco tempo que quem trabalha tem para estar diariamente a estudar até às tantas...

Ao Comandante Martins da Cruz( uma simpatia) e à Engenheira Barbara Anes( fantástica formadora), o meu agradecimento. Desejo muito sucesso a ambos que o projecto corra bem, e que continuem a tentar cada vez dar mais a quem escolhe a vossa escola. Eu, apesar dos muitos km´s que fazia regularmente, não me arrependo, valeu a pena, e valeu o esforço.

A quem pretender obter qualquer destas cartas deixo o link dum espaço onde fui bem tratado e onde fui educado com qualidade:

www.patraonautico.com
e
www.patraomor.pt
 ( Duas boas escolas para tirarem a carta)




CARTA DE MARINHEIRO


- Este curso permite a obtenção da Carta que habilita à condução de Embarcações de Recreio até 7 metros de comprimento, com potência máxima de 45 kW (61 Cv) (titulares com mais de 18 anos) ou até 5 metros de comprimento, com potência máxima de 22,5 kW (30 Cv) (titulares dos 14 aos 18 anos);
Motas de água e pranchas motorizadas (jet-ski) sem limite de potência (titulares com mais de 16 anos); Navegação diurna até 3 milhas da costa e 6 milhas de um porto de abrigo;
Idade mínima: 14 anos.

Carta de Patrão Local


Pode realizar-se directamente este Curso sem ter Carta de Marinheiro (Este Curso corresponde já à modalidade de Curso de Marinheiro + Patrão Local, habilitando directamente o aluno à titularidade da Carta de Patrão Local);


Permite a obtenção da Carta que habilita à navegação à vista da costa, sem limite de dimensão da embarcação e sem limite de potência; Navegação diurna e nocturna até 5 milhas da costa e 10 milhas de um porto de abrigo.
Permite o aluguer de embarcações e navegação nas costas do Mediterrâneo - Espanha, França, Itália, Croácia, Grécia, Córsega - ou locais como as Caraíbas, Tailândia, etc.
Esta formação confere, também, o Certificado de Radiotelefonista Classe A.
Idade mÍnima: 18 anos

Carta de Patrão de Costa


Este Curso permite a obtenção da Carta que habilita à Navegação sem qualquer  limite da  dimensão da embarcação e sem limite de potênciaNavegação diurna e nocturna até 25 milhas da costa.
Permite o aluguer e condução de embarcações até ao Algarve ou pela costa do Mediterrâneo - Espanha, França, Itália, Croácia, Grécia, Córsega - ou locais como o Brasil, Caraíbas, Tailândia...
A aprovação no Curso permite também a renovação do Certificado de Operador Radiotelefonista da Classe A.
É obrigatório ser titular de Carta de Patrão Local há pelo menos um ano, na data do exame.

CARTA DE PATRÃO DE ALTO MAR

Este Curso permite a obtenção da Carta que permite à navegação diurna e nocturna, sem qualquer limite da área de navegação - e igualmente sem qualquer limite em termos de dimensão da embarcação e potência de motor.
Permite o aluguer e condução de embarcações em todo o mundo.
A aprovação no exame permite também, a renovação do certificado de operador radiotelefonista classe A.
É obrigatório ser titular da carta de patrão de costa há pelo menos um ano, na data de exame.


Reforço a ideia de que devemos ter consciência de que o mar apresenta muitos perigos e o facilitismo por vezes pode dar maus resultados. Pese embora seja na prática que mais se aprende, tal como na condução automóvel, a vertente teórica é de extrema importância. A nossa vida e dos nossos amigos merece por isso que nos esforcemos o necessário para garantirmos as condições de segurança necessárias para voltarmos do mar, tal como entramos( de preferência com o balde cheio, eheheh!)

Ospescas

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

O Scookie continua a fazer estragos no Tejo...

... e de que maneira.


Era dia de voltar ao pesqueiro dos recordes, tanto para mim como para o Palma. As previsões não eram as melhores em todos os sentidos. O vento tinha virado intensamente para Oeste o que fazia crescer a vaga e dificultava o trabalhar das amostras. A chuva ia ser muita, períodos grandes e sem piedade de quem se queria divertir a pescar. A juntar a isso, a maré também já não era a mesma mas a vontade de lá voltar era mais forte que tudo.
Era dia de sair bem equipado, eu e o Palma ia-mos artilhados até aos dentes por forma a ser possível pescar se as condições previstas se confirmassem. No entanto ainda era possível ver zonas do céu com abertas e onde se podia ver o sol a espaços, foi sol de pouca dura.
Ao chegar ao local combinado para por o barco a flutuar era visível pela intensidade do vento, que o dia is ser complicado, como o Palma dizia " hoje vão estar poucos a pescar" realmente era dia para ficar em casa no descanso do lar. Motivados pelas pescarias anteriores não era o mau tempo que is estragar a festa embora o mar podia não deixar lá andar.


Já bem equipados e com o Scookie na água, era hora de nos fazer-mos à "estrada" e ao sair a baía deu para perceber que a água estava muito mexida e que muitos saltos se iam dar. Chegados ao pesqueiro, era hora de planear os caminhos a percorrer e colocar as amostras a pescar. O vento estava chato mas não caía chuva de maior, umas pingas só para refrescar, o peixe é que teimava em não aparecer. Umas quantas voltas dadas e não havia sinal de actividade no local, a sonda estava a zeros e nem um peixe marcava. Mais uma tentativas e era hora de acostar para beber um café, não há peixe, arranja-se uns dedos de conversa em terra e fica a cargo do café aquecer o estômago. Ainda no café foi possível sentir as condições atmosféricas que se previam, começa a cair uma carga de água que nos fez ficar mais uns minutos a fumar um cigarrito e a falar com um amigo do Palma, de longa data, que apareceu e se juntou à mesa para confraternizar. A chuva caía com alguma intensidade mas a vontade de voltar ao pesqueiro era muita e em poucos minutos o Barco já se fazia, novamente à "estrada". Caía muita chuva, e o vento começava a fazer-se sentir de uma forma que até custava a ver. Como estávamos a sair de uma zona que se encontrava à ravessa do vento, vai de acelerar um pouco mas rapidamente deu para perceber que a partir dali o caminho tinha de ser feito com mais calma, a água começava a cavar de uma maneiro considerável para o local. Já no pesqueiro, vai de colocar as amostras de molho mas era notório que não ia ser fácil pescar, a minha amostra chegava a saltar da água de uma maneira que só a conseguia por a pescar com a cana na mão fazendo movimentos de forma a ajudar a afundar a amostra. Fui obrigado a trocar de isco e escolher um plástico de maior dimensão, que pudesse agarrar melhor.

Enquanto eu tratava de mudar de táctica, o Palma mantinha a mesma amostra e ... ora ai estava o carreto do amigo a cantar já com alguma vontade, era um Robalo de porte considerável, premiava a persistência de querer pescar em dia de ficar em casa. Peixe trabalhado com calma e o xalavar tratou do resto, estava no barco o primeiro peixe, já eram perto da 13 horas e andava perto dos 2 quilos. A água começava a ganhar mais corpo, cavava mais e começava a ser mais complicado pescar contra o vento e com a maré a começar a virar. Passava mais algum tempo sem sentir peixe na amostra mas a sonda já mostrava um pouco mais de actividade e como costumamos sempre dizer, este não deve andar lá sozinho. Mais umas passagens e nem um toque, a pesca estava a ser dura, chuva nos queixos enquanto o barco anda aos "saltos" de onda para onda mas ainda era possível pescar, prova disso é notada na cana do Palma com mais um arranque fenomenal, "este é dos bons" dizia o Palma enquanto soltava, na brincadeira, que esta pesca era para os duros. O peixe continuava a dar trabalho enquanto eu espero, já com a minha amostra fora de água, para não empatar e de xalavar em punho para o que desse e viesse. Era um belo robalo que se deixava ver mas que não se queria entregar assim, vai de se afastar novamente do barco com uma grande arrancada. O palma estava novamente metido em trabalhos com o peixe enquanto dizia ser possível voltar a bater o seu recorde em menos de nada. Dava gosto ver as cabeçadas que faziam vergar a cana do Palma mas já começava a mostrar sinais de cansaço, já era possível recuperar uns bons metros de linha e voltar a ver o peixe de novo. O xalavar do Palma é relativamente pequeno, compra um maior pá eheheh, o que obriga a ter alguma calma a utilizar, correndo o risco de não conseguir colocar o peixe à primeira, já tinha acontecido anteriormente mas não se podia repetir pois tratava-se de um peixe de tamanho muito considerável, e depois de mais duas ou três cabeçadas já muito perto do barco e o peixe está a seco, 5,400kg de robalo que até apetecia.

Robalos do Palma, de salientar o de 5,400 kg
O tempo ia passando e eu continuava em branco, já muito contente com a pescaria a bordo mas também queria brincar um bocadinho agarrado a um peixe. O tempo ia piorando, e as condições para se pescar começavam a escassear, não é que houvesse perigo na área mas o corpo já começava a mostrar sinais de querer sentir terra e um bom café. Depois de se apanhar um peixe destas dimensões é difícil abandonar o locar logo de seguida, já se fazia tarde mas ainda tinha-mos forças para fazer mais umas passagens aos saltos entre ondas. "Mais 3 passagens e arrancamos" dizia o palma, sem muita vontade mas... o dia estava realmente difícil e estava mesmo complicado andar a bater onda e ainda levar com as ondas que as embarcações de maior porte, que passam por ali, levantam. Eu aproveitava os últimos cartuchos para trocar de amostra, agora ia uma que tinha comprado no dia anterior e lhe tinha feito uma pintas pretas no lombo, coisa mais linda, e não é que resultou... passados poucos segundos de entrar na água, é caneco, este canta bem, era a minha hora de segurar a cana e aproveitar a minha oportunidade, era o primeiro toque que estava a sentir e não podia vacilar. Ao pegar na cana dá para perceber que se tratava de um peixe grande, as saídas eram fortes o que indiciava peixe de porte. Era a minha vez de dizer, Palma este é para eu bater o recorde. Depois de um momento de muita adrenalina de volta do peixe, chuva em cima e o barco aos saltos, era dose. Mas estava destinado a fazer companhia ao pescado que se encontrava a bordo e a fazer com que voltasse a bater o meu recorde, marcava 4 quilos de robalo que me deram um prazer enorme pescar, muito fixe.


O meu actual recorde, 4 kg
 Obrigado amigo palma por insistires em mais estas passagens, eu já não acreditava muito embora não tenha deixado de tentar, daí a sorte ter ajudado a deixar a grade no local. Era hora de voltar e ainda havia o caminho a fazer, embora relativamente curto, seria feito contra o vento e à cabeçada a tudo o que era carneiro, mas o Scookie levanta a proa e vai de gás até ao caís, onde somos esperados com simpatia e amizade pelos meus parceiros de trabalho que nos receberam com um café que até estalou.

Eles andam ai...
 Fica uma pescaria difícil mas muito recompensadora, a persistência levou ao troféu, e eu tinha acabado de bater novo recorde, ehehehe o Palma, mais do mesmo, parece que escolhe os tarolos a dedo, é cada um que vai lá vai..

Espero, dentro em breve, estar lá de novo antes que os robalos grandes voltem ao mar.

Grande abraço para todos e em especial para os amigos Carlos e Natacha que nos receberam no cais com a simpatia e amizade que os caracterizam. Ainda serviram mais um café quentinho e nos ajudaram a tirar umas fotos para que fosse possível ilustrar este relato, obrigado.

Nuno Fernandes e Ricardo Palma




terça-feira, 20 de novembro de 2012

A começar assim... o resultado não podia ser outro!"


Poder podia mas não seria a mesma coisa... que maluquice.

Grandes vidas...
Tal como tinha ficado combinado da pescaria do dia anterior, havia que voltar ao pesqueiro porque os 3 peixes que o Palma tinha tirado deixaram-lhe água na boca e o moço encontra-se totalmente convertido a este tipo de pesca, já vem sendo alguns dias a apanhar bons troféus.  Não escondo que até achei alguma graça, ainda mais sem cansar o braço e apanhar uns peixes pode ser engraçado, se vier esse dito troféu melhor. Era o meu segundo dia de pesca nesta vertente, e ia com alguma satisfação por ter conseguido encontrar umas amostras, que segundo o Palma, trabalhavam bem e tinham uma boa relação com o peixe.

No Porto de Abrigo
09h00, e a embarcação já desce a rampa de varar no Seixal, em 5 minutos está pronto a arrancar e assim foi. Rumo ao local do "crime", o tempo estava muito convidativo para este tipo de predadores, tempo nublado, com o sol a aparecer a espaços e  mas com uma temperatura bastante agradável. Caminho feito nos habituais 22 nós, dentro em breve estavam as amostras na água e o Palma preparava a táctica e eu também já ia a jogo com as minhas pontas-de-lança.. Tudo normal, barco alinhado no pesqueiro e o mestre Palma dá inicio à jornada e as amostra são colocadas no caminho dos nossos amigos robalos. Olhos na sonda e na carta para passar no locar certo e... nem um minuto tinha passado e já a cana do Palma cantava de uma forma bastante convicta. bastante mesmo. Logo recebo a solicitação de ajuda porque vinha ai bom peixe. Já vi que sim, tens um bom peixe na cana amigo, muita calma nessa hora que ele virá para o berço, o problema punha-se no facto de o dito peixe não querer entrar para a embarcação, era notório pelos arranques que se tratava de um bom robalo e com vontade de vender cara a derrota. Bem trabalhado pelo Palma e já cá canta no xalavar, grande peixe amigo, enquanto o mestre já falava em ter batido o seu recorde pessoal, assim foi, mais tarde foi pesado e acusava 6.100 kg de robalo no primeiro lançamento, vai lá vai, até fiquei azul. Festa a bordo e peixe arrumado, era hora de continuar a tentar, pois podia ser a hora escolhida pelos robalos para entrar e nós estávamos lá. Como é perceptível, a pesca estava a começar da melhor maneira e o Palma tinha acabado de bater o seu recorde pessoal.


Eles estão ai e nós vamos bater o mesmo local, meia volta e vai mais uma passagem. Dento do barco, sabia bem olhar para aquele animal, belo peixe. O Palma tinha um sorriso de orelha a orelha e ainda não tinha-mos olhado como deve de ser para o peixe e já a cana do Palma voltava a cantar. O sinal já não foi o mesmo, tinha um cantar mais meigo. Era mais um que se juntava ao poço da embarcação.

Para contrastar com o maior, fica uma foto do mais pequeno.
Devolvido em perfeitas condições para continuar a crescer.


Dava para começar a perceber que existia um rumo em que a actividade aumentava bastante, todos sabemos que não quer dizer tudo, muitas vezes estão lá mas não atacam a amostra. A velocidade cada vez estava mais afinada.. A ajuda da carta digital é muito importante para poder repetir as passagem no local determinado pelo peixe.
Estava prevista uma boa manha, embora eu continuasse em branco, já havia peixe a bordo o que motivava cada passagem. Devido a alguns factores ainda em estudo, ehehehe a actividade reduz um bocado, dá tempo para comer uma sandes e ir falando da vida e os projectos que cada um tem para a sua vida bem como ir pondo a escrita em dia, o gosto pela pesca ajuda a existir sempre tema e boa disposição nos momentos mais parados. A enchente estava a terminar quando o palma sente mais um peixe, a cana canta e leva o meu amigo a entrar em altas, afinal estão aqui, e este já voltava a fazer o carreto afinar a voz. Trabalho de equipa e o 3 peixe estava a seco e eu mais uma vez fazia de saca fateixas  e homem do xalavar. Já lhe dizia se me tinha trazido para trabalhar para ele, ehehehe mas o amigo Palma transmitia motivação por todos os poros não me deixando quebrar, mesmo que quisesse.

Mas que belo robalo que o Palma tem entre mãos, novo recorde pessoal

Mais umas voltas e eu não tirava os olhos da ponteira, o Palma diz-me, deixa de olhar para isso que quando nos distrairmos com a sonda a marcar actividade, o peixe volta a dar sinal de vida. Pois parecia que estava a adivinhar, volta a ser ouvido o cantar convicto do carreto, estava lá cravado e agora na minha cana. Ao sentir o peixe dá para perceber que se tratava de um bom exemplar. O palma recolhia a amostra e aconselhava calma, o que todos fazemos quando um companheiro nosso tem um bom peixe na cana.. Trabalho o peixe com calma enquanto ele faz arranques de não sei quantos metros de linha. O Palma  tinha o xalavar pronto quando o peixe aparece, já cá canta e é bem bonito. Já era um peixe de porte considerável para mim, pois também estava a bater o meu recorde, marcava 3.100 quilos. Mais uma festarola dentro da embarcação e a motivação estava nos picaros.

O meu recorde pessoal estava batido

Era-mos unânimes em dizer que poderia se dar um dia de pesca para a história e ao arrancar para mais uma volta e já eu estava agarrado a outro tarrolo. Belo arranque, parecia que não queria parar, estava a lutar com muita força o que indiciava mais um peixe de peso. Estava a viver novamente a sensação de estar a lutar com um predador sem ter tempo de descansar do anterior. O peixe mostrava não querer vir para o barco, o Palma devido ao facto de não podermos permanecer muito tempo parados no mesmo local, arranca lentamente em direcção ao peixe para me ajudar a trazer o menino para seco. Mais umas boas cabeçadas mas sem levar muita linha, diziam que se estava a entregar e em pouco tempo estava dento do xalavar. Mais um lindo peixe, eram mais 3 quilos de peixe a brilhar com a aberta de sol que se fazia sentir.
O volume de peixe já era grande e a motivação nem se fala. Dava gosto olhar para o poço  para ver o pescado. Lindos peixes, nunca tinha tido uma pesca assim. Estava mesmo satisfeito, as duas horas seguintes não deram descanso, sempre a tirar peixe, ainda saíram mais dois de porte muito razoável e uns quantos entre o 1/1.5 quilos cada.


Ainda ficaram por fotografar 4 ou 5 peixes de quilo que já estavam arrumados
 A verdade é que olhava-mos um para o outro e não sabia-mos explicar, avia que registar o maior números de detalhes possíveis para facilitar novas jornada, mesmo sabendo que a pesca não é uma ciência exacta, todos sabemos que existem factores que podem fazer a diferença. Como as nossas pescas tem hora marcada, era momento de recolher o plástico e voltar ao porto de abrigo, vinha-mos mesmo contentes e eu estava a precisar de um dia assim. Não tenho conseguido ir à pesca  mas este dia compensou. Não é o estilo onde dedico mais tempo e investimento mas foi muito motivante e reestabelecedor de carga nas minhas baterias. Estava a ser um dia bem passado em todos os aspectos o que "obrigou" a que ficasse marcado o regresso ao local para muito breve, só espero que seja parecido com este.

Grande abraço a todos,

Nuno Fernandes, Ricardo Palma

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Pim Pam Pum, cada bala( vinil) mata um...

Boas,

Marés grandes, águas a correr muito, marés de amplitudes que "pedem" aos robalos que se procurem as suas presas e aproveitem a sua capacidade superior em termos de natação. Pobres presas nestas águas, que  sofrem imenso para se poderem proteger nestes dias...

Mais uma vez resolvi ir fazer uma pescaria rápida depois de jantar. Apenas tinha minhoca e uns vinis... E toca de lá ir...

Combinei com o Miguel cerca das 9 horas e a noite embora húmida estava de feição com pouco vento e com as tais marés grandes, óptimas na viragem da maré para a captura de alguns robalos.

Chegado ao local montou-se as canas e iscamos bem, e de seguida fomos montar a cana para o spinning.

Logo no 1 lançamento julguei ter visto a cana a bater, mas nem liguei e comecei a vinilar... Nada!
A maré perto da praia-mar começava a chegar perto do ponto onde eu pretendia, e aumentei o número de minhocas... Lancei e pousei a cana... O Miguel lá andava a vinilar para trás e para a frente, sempre com o mesmo resultado. Não estava desanimado, nem que fosse por estar mais uma noite a espairecer de uma semana cansativa.

Mas na realidade a coisa estava difícil e não estava a dar com eles. Resolvi trocar de cor no vinil e de chumbada ao fundo, passando a pescar mais leve no chumbo e mais garrido na cor do vinil...
Enquanto o Miguel foi trocar as minhocas a cana dele, eu lancei o feioso do vinil, deixei-o ir com a corrente e de repente ZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZ, eheheheh, finalmente estava feito, desgradei. Um robalo quileiro.



Mais um lançamento e torno a deixar andar até ao mesmo spot, e começo a dar toques de ponteira e rapidamente ZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZ, mais um... Miguel, toma lá a desforra!.

Ele teimava em não dar com eles e estava com problemas em acertar com o trabalhar dos meninos.
Eu após algumas tentativas sem sucesso torno a 1ª côr e assim que caiu dentro de água... 3 menino... ZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZ, este mais enérgico, deu-me uns bons momentos!

Ele estava em noite não e não dava com eles... Bem trocou de amostra, bem carregou na minhoca, mas o peixe estava difícil e muito manhoso.

Eu queimava os últimos cartuchos( minhocas) quando vejo a cana do fundo a bater e corro para ela, e assim que agarro todo satisfeito com uma luta muito boa, ia pensando que já estava o 4º e tal... ZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZ para aqui e para ali, fecha drag e deixa ir para curtir um pouco e quando avisto a boca do peixe ao cima de água... Epa, f.... epa... Mas que coisa... Ando em semana de robalos esquisitos chiça... Uma grandeee Tainha. Mais uma.



Soltei a bicha, e arrumei a tralha danado enquanto ele ainda insistia a ver se desgradava... Mas o esforço desta não foi bem recompensado.
Também não pode ser sempre lololol. Vai calhando à vez!
Uma rapidinha com algum sucesso e estava perto da meia noite, hora de voltar a casa.
Caso o tempo incerto me permita em breve volto a brincar com estes vinis, que parece que algo anda por aqui...


Material: 
Canas: Vega Chalenger, Vega Nextor, Shimano Speedmaster AX, Shimano Diaflash
Carretos: Shimano Symetre, Shimano Twinpower FB, Shimano Nexave, Shimano Catana
Isco orgânico: Minhoca do lodo
Isco artificial: Savage Sandeel, Storm Ultra EEL, Big Hammer, Delalande SHAD GT

Filipepc, Miguel

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

O Robalo e o seu irmão esquisito!

Boas pessoal,

Mais uma boa noite de Outono, mais uma pescaria à bóia...

Embora estivesse ainda a recuperar de uma semana dura, resolvi descansar bem um dia para tentar ter energias para uma noite ir fazer uma pescazita.
Um desses dias, sentindo-me muito bem, resolvi ir fazer uma noitada pese embora fosse trabalhar no dia seguinte.

O pior seria depois, lol...

Depois de sair, fui logo para casa jantar e preparar a tralha para mais uma jornada... Estava cheio de pica, tinha descansado bem na noite anterior e estava pronto para pescar até ás 02h. sem problema...

Preparei a minha canita, fui ver dos starlights e escolhi uns anzóis manhosos que tinha por lá... Por vezes dá-me a pancada de gastar anzóis que tenho há muito em casa e que não uso. Por vezes quando me apercebo disso, levo-os na ideia de os gastar. Quase sempre eu, e julgo que todos, acabamos por os trocar a meio da pesca... É a parte psicológica a falar. Se lá for um peixe e não ficar, começamos logo a culpar os anzóis, porque já há partida nós não depositávamos confiança neles.

Fui buscar o Miguel e lá fomos nós. Ao chegar vimos que a noite estava de feição, calma, e sem grandes ventos, mais ou menos o que marcava o windguru.

Montou-se as canas e começámos a pescar. Rapidamente sentimos uns toques mas nada ferrava.
Aquilo começou a irritar-me e chegamos a estar os dois a tentar ferrar o peixe e nada... É do anzol, disse logo eu... Já tinha arranjado ali um alibi. Não era falta de arte minha, não era por eu estar a pescar com um anzol nº1/0, e provavelmente ser peixe miúdo, era o anzol...

E continuei intrigado, toque toque, e nada... Grrr... Bem vamos mudar de isco a ver se dá resultado, se este peixe deixa de lá ir...

Trocado o isco este continuava a vir ratado a cana a marcar e eu nada... Querem ver... Bem, claro que era do anzol, lololol, e resolvi trocá-lo por uns que tenho sempre comigo embora sinceramente não sejam o tipo de anzol que gosto... O Mustad 515, o famoso pescoço de cavalo.

Isquei muito bem... com muito coreano e no bico do anzol 3 minhocas do lodo a cairem, e deixei a cana folgada... Em segundos apercebi-me de uns toques manhosos... Deixei estar mais um bocado... Mas os toques persistiam e resolvi  agarrar na cana e quando o faço sinto logo a linha a correr, e o carreto Zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz, com muita calma dou um puxão e sinto o peixe ferrado e a correr na minha direcção... Todo feliz, fiquei logo na expectativa de uma grande captura, e disse ao Miguel que era um bom peixe, pois estava a sentir a sua força e os seus arranques.



Como ele já estava um pouco cansado, trouxe-o ao de cima e quando olhei bem para o seu lombo! Mas... o meu robalo que me deu tanta luta e que andei a brincar tanto tempo era uma... Até me custa dizer. Uma tainha.  Fiquei dando... Que desilusão... Bem pelo menos sobre o peixe, pois o gozo que me deu com uma cana fininha trabalhar aquele peixe, foi grande...
O Miguel com uma grande lata diz-me " Oh Filipe, que robalo tão esquisito, lololol"





Restou-me trocar de estralho e continuar a pescar... Já não tinha muito tempo...

Mais uns lançamentos e novamente aqueles toques estranhos e já o Miguel tirava um, agarro na cana e novamente Zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz, e lá motivei, corrida para a direita e corrida para a esquerda e corrida para baixo... E comecei a torcer o nariz... É que já me estava a parecer igual ao peixe anterior..., e resolvi apertar o drag e trazer o peixe ao cima só para confirmar, e assim que o vejo, era mais uma tainha, esta ainda maior. Até me ri para mim, e resolvi abrir um bocado o drag e deixar andar uns segundos... Ao menos a pica estava lá. E depois de ter um bocado de prazer, resolvo tirá-lo e devolver ao mar. Eu simplesmente abanava a cabeça, enquanto o Miguel se ria e desembuchava o bom robalo que ele tinha apanhado...





Bem, a pesca estava feita. Não havia condições para mais... O Miguel safou um bom robalo e eu apanhei o seu irmão esquisito... lololol. Aliás, foram dois, dos esquisitos.

Um abraço e até breve,

Material:
Canas: Vega Nextor; Vega Challanger
Carretos: Shimano Nexave; Shimano Symetre
Linhas: Vega Akada FC; Asso Ultra
Iscos: Ganso Coreano; Minhoca do lodo


Filipepc, Miguel Candeias

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

O meu Meco

Boas,

Este relato vem abrir a minha época de surfcasting na zona... O tempo, o cansaço, e o mar que teve durante o ano, tirou-me a vontade em muitas vezes ir fazer as tais noitadas de Surfcasting que eu tanto adoro. Não se perde um amor que se tem desde sempre, por vezes temos é que dosear bem todo o esforço e sermos inteligentes. Aliás basta sermos pragmáticos. De que vale ir ao Meco ou à Lagoa num ano em que o mar esteve sempre parado, em que por esse motivo os barcos de profissionais punham redes ilegais a menos de 50 metros da praia? Nada. Mais vale ficarmos pela zona ou então fazer o que tenho feito. Ir a outras pescas, e esperar pacientemente pelo momento.

Foi com muita alegria que vi o Windguru há dias... O que estava afinal a dar? Hmmm, mar com vaga de Oeste, a bater nos 2,5 metros e cair pela noite... Isto dá por Y mais X, um mar muito espumado, e com aguagens de 9/10, um mar certinho, e perfeito para aquela zona.

O dia ideal seria na 2ª de noite... Mas não pude... Tive trabalho e não consegui ir lá. Na 3 feira, com o tempo abafado, com uma chuva miúdinha, e o céu todo tapado, típico dos dias "doentios" só pensava em ir à pesca. Era o único dia da semana que tinha, e ou ia ou descansava... Tomei a minha decisão, e disse ao Filipe João para irmos... Ele sem grande vontade lá acedeu, e fiquei de sair do trabalho, jantar e ir fazer o resto da enchente e o início da vazante.

Danado pois atrasei-me, nem jantei, tal a ânsia que sentia em ir ao mar, a noite..., tudo me dizia para ir. Tudo. Epa Feelings.
O caminho prenunciava o que eu esperava e a noite cobria-se de um manto de humidade com nevoeiro, que fazia lembrar aqueles filmes Hollywoodescos.
Ao chegar ao Meco, um companheiro abandonava o local, e eu pensei... que ele estava a fazer mal.
Não se via nada, 5 metros à frente e eu não avistava sequer o carro. Disse logo ao Filipe João, que se não apanhássemos nada era porque o peixe não andava lá, pois a noite essa, estava perfeita, e o mar, embora não tão grande como no dia anterior, ainda estava com força a rebentar a 20/25 metros como eu gosto...
Espuma, humidade, muita mesmo e um nevoeiro intenso... que por momentos me deixou até sem ver as canas ao longe. Tínhamos que estar em cima delas.

Sentado na minha cadeira, de t-shirt às 10.30 da noite, curtia o momento. E olhem que vali a pena. É o tipo de noite que eu mais gosto na pesca de praia. Se tive a sorte de no dia que escolho estar daquela forma, só tinha que relaxar e esperar que a sorte me acompanhasse. Se não, já tinha ganho o dia na mesma, eu sei o que estava a sentir e o quanto me sentia bem...



Montei as minhas canas, com montagens distintas. Uma com urfe e apenas um anzol, com estralho de 1,5 metros. Usei um 0,35mm. A segunda usei montagem dupla, com estralhos de 50 cm. e estralhos de 0,35mm. Uma cana com cavala, ou caranguejo, outra com casulo e minhoca branca.



Comecei por fazer lançamentos mais curtos pois a maré cheia podia me dar algum bom peixe ali perto.
Primeiro lançamento e tudo ratado... Caranguejo??? Bem comecei a ver o filme, toca de lançar... E sentei-me... E novamente as 4 canas dos dois todas ratadas. Qualquer isco.
Sentei-me e pensei. Mas que raio. Uma noite destas. Tem que ser, mas tem que ser... Isto é quase perfeito.
E toca de ter calma, isco as canas e comecei a rasgar, e a procurar ir mais longe, e... fui jantar que eram 11 horas e eu sem comer.



Ao longe vejo a minha cana finalmente bater, e levanto-me... Uma bela cacetada, agarro na cana e faço a ferragem. Estava lá... Fui recolhendo e já perto ele dá um ar de sua graças. Era um robalo. Estava desgradado. Eh eh eh! Gritei pelo Filipe João e disse-lhe que estava desgradado. A 0´S não íamos!

Isquei bem e tornei a esticar o lançamento. A procurar outro peixe... E logo de seguida tive um toque muito bom. Uma porrada que me fez saltar da cadeira e correr, mas o peixe foi a vida dele.
Nesta altura o Filipe tirava um sargo jeitoso. E eu animei muito, ou melhor, pois até estava com fé, fiquei ainda com mais pica. O corpo estava a responder apesar de não andar a descansar nada. Eu adoro pescar, não consigo não ir, não dá para ficar em casa, cansado, sem tempo, tenho que lá ir um bocado.



E comecei a iscar melhor as canas. O peixe entrou, não era somente caranguejo e estávamos perto da viragem, a aposta era naquele momento... E mais uns minutos e sempre com o isco ratado e com alguns toques levo um bom toque e tive uma ferragem feliz para um peixe que me deu bastante mais luta. Agora sim a coisa melhorava. Muitas cabeçadas, e comecei a achar ser um bom sargo, e qual é a minha surpresa quando já aos meus pés vejo uma dourada linda.

Isquei rápido e lancei, mas deixou de picar peixe, e estivemos ali uma hora quase sem actividade e começámos a falar em ir para casa. Estávamos nós a falar em ir embora, quando o nevoeiro piorou e o Meco ficou com uma noite como tive há 2 anos, embora nessa altura estivesse muito frio.
Um Meco misterioso, lindo, como naquela noite dos tarolos, com o pessoal do Jorge, do Chico, e o Vitor Grilo. Que noite. E só me lembrava deles, porque tinha tudo a ver. Noites assim há poucas, e ter a sorte de lá estar nesse dia era uma dádiva. Aquele aspecto, valia tanto que... Não quis arrumar a tralha e ir para casa. Mesmo sabendo que de manhã me ia custar muito, eu sabia que tinha que aproveitar e continuámos a insistir... E assim que a maré começou a correr com mais força, regressou a actividade, sempre, mas sempre no casulo de Aveiro, que fez e faz quase sempre a diferença ali. As canas batiam constantemente, numa virada, foram 3 lançamentos 3 sargos, de seguida 3 canas com peixe ao mesmo tempo e o saco a engordar.



Fiz N tentativas de tirar umas fotos, mas o meu telemóvel não ajudou muito e de noite, naquele escuro, e nevoeiro, era impossível. Tenho pena, queria que vissem o monte de sargos que se ia apanhando, além das bailas, robalos e corvina.



Foram muitos que uns atrás dos outros foram saindo e tanto eu como o Filipe João fomos passando uma noite magnífica, completamente sozinhos num Meco com à muito não via. Já com pouco casulo e com muita vontade de continuar, a maré agora a dar mais problemas pois estava muito vazia e levava as linhas todas para o mesmo buraco, o Filipe está a tirar um sargo quando eu vou agarrar nas Steel Power dele, pois tinha a visto a dar um grande safanão e a linha estava toda para a direita.  Com valentes cabeçadas, sempre em tensão e na escoa, fui tirando o peixe com muita calma, enquanto o Filipe João se aproximava para ver o que vinha. Sempre calmamente, com a linha bem em tensão fui recolhendo o peixe, e que belo exemplar... Uma grande alegria, a pesca estava feita, restavam 5 ou 6 casulos, que por acaso deram mais 2 sargos e uma baila, e perto das 4 da manhã, a dar peixe, viemos embora, pois o casulo tinha acabado...



Felizes, os dois, os mesmo que muitas vezes juntos palmilharam aquelas areias, e tantas ao longo dos anos, fomos para casa...

Uma noite espectacular, não de tirar peixe, que isso foi, mas não era o principal, uma noite espectacular de pesca, como já vos disse o meu tipo de noite preferida.

Material: 
Canas: Yuki Taylor X6; Super Aero Technium BX-H; Banax Steel Power
Carretos: Shimano Aero Technium XT; Shimano Aero Technium XSB; Shimano Ultegra
Iscos: Caranguejo 2 cascos; Casulo; Minhoca branca

Filipepc, Filipe João

A começar assim... o resultado não podia ser outro.

Poder podia mas não seria a mesma coisa... que maluquice.

Grandes vidas...
Tal como tinha ficado combinado da pescaria do dia anterior, havia que voltar ao pesqueiro porque os 3 peixes que o Palma tinha tirado deixaram-lhe água na boca e o moço encontra-se totalmente convertido a este tipo de pesca, já vem sendo alguns dias a apanhar bons troféus.  Não escondo que até achei alguma graça, ainda mais sem cansar o braço e apanhar uns peixes pode ser engraçado, se vier esse dito troféu melhor. Era o meu segundo dia de pesca nesta vertente, e ia com alguma satisfação por ter conseguido encontrar umas amostras, que segundo o Palma, trabalhavam bem e tinham uma boa relação com o peixe.

No Porto de Abrigo
09h00, e a embarcação já desce a rampa de varar no Seixal, em 5 minutos está pronto a arrancar e assim foi. Rumo ao local do "crime", o tempo estava muito convidativo para este tipo de predadores, tempo nublado, com o sol a aparecer a espaços e  mas com uma temperatura bastante agradável. Caminho feito nos habituais 22 nós, dentro em breve estavam as amostras na água e o Palma preparava a táctica e eu também já ia a jogo com as minhas pontas-de-lança.. Tudo normal, barco alinhado no pesqueiro e o mestre Palma dá inicio à jornada e as amostra são colocadas no caminho dos nossos amigos robalos. Olhos na sonda e na carta para passar no locar certo e... nem um minuto tinha passado e já a cana do Palma cantava de uma forma bastante convicta. bastante mesmo. Logo recebo a solicitação de ajuda porque vinha ai bom peixe. Já vi que sim, tens um bom peixe na cana amigo, muita calma nessa hora que ele virá para o berço, o problema punha-se no facto de o dito peixe não querer entrar para a embarcação, era notório pelos arranques que se tratava de um bom robalo e com vontade de vender cara a derrota. Bem trabalhado pelo Palma e já cá canta no xalavar, grande peixe amigo, enquanto o mestre já falava em ter batido o seu recorde pessoal, assim foi, mais tarde foi pesado e acusava 6.100 kg de robalo no primeiro lançamento, vai lá vai, até fiquei azul. Festa a bordo e peixe arrumado, era hora de continuar a tentar, pois podia ser a hora escolhida pelos robalos para entrar e nós estávamos lá. Como é perceptível, a pesca estava a começar da melhor maneira e o Palma tinha acabado de bater o seu recorde pessoal.


Eles estão ai e nós vamos bater o mesmo local, meia volta e vai mais uma passagem. Dento do barco, sabia bem olhar para aquele animal, belo peixe. O Palma tinha um sorriso de orelha a orelha e ainda não tinha-mos olhado como deve de ser para o peixe e já a cana do Palma voltava a cantar. O sinal já não foi o mesmo, tinha um cantar mais meigo. Era mais um que se juntava ao poço da embarcação.

Para contrastar com o maior, fica uma foto do mais pequeno.
Devolvido em perfeitas condições para continuar a crescer.


Dava para começar a perceber que existia um rumo em que a actividade aumentava bastante, todos sabemos que não quer dizer tudo, muitas vezes estão lá mas não atacam a amostra. A velocidade cada vez estava mais afinada.. A ajuda da carta digital é muito importante para poder repetir as passagem no local determinado pelo peixe.
Estava prevista uma boa manha, embora eu continuasse em branco, já havia peixe a bordo o que motivava cada passagem. Devido a alguns factores ainda em estudo, ehehehe a actividade reduz um bocado, dá tempo para comer uma sandes e ir falando da vida e os projectos que cada um tem para a sua vida bem como ir pondo a escrita em dia, o gosto pela pesca ajuda a existir sempre tema e boa disposição nos momentos mais parados. A enchente estava a terminar quando o palma sente mais um peixe, a cana canta e leva o meu amigo a entrar em altas, afinal estão aqui, e este já voltava a fazer o carreto afinar a voz. Trabalho de equipa e o 3 peixe estava a seco e eu mais uma vez fazia de saca fateixas  e homem do xalavar. Já lhe dizia se me tinha trazido para trabalhar para ele, ehehehe mas o amigo Palma transmitia motivação por todos os poros não me deixando quebrar, mesmo que quisesse.

Mas que belo robalo que o Palma tem entre mãos, novo recorde pessoal

Mais umas voltas e eu não tirava os olhos da ponteira, o Palma diz-me, deixa de olhar para isso que quando nos distrairmos com a sonda a marcar actividade, o peixe volta a dar sinal de vida. Pois parecia que estava a adivinhar, volta a ser ouvido o cantar convicto do carreto, estava lá cravado e agora na minha cana. Ao sentir o peixe dá para perceber que se tratava de um bom exemplar. O palma recolhia a amostra e aconselhava calma, o que todos fazemos quando um companheiro nosso tem um bom peixe na cana.. Trabalho o peixe com calma enquanto ele faz arranques de não sei quantos metros de linha. O Palma  tinha o xalavar pronto quando o peixe aparece, já cá canta e é bem bonito. Já era um peixe de porte considerável para mim, pois também estava a bater o meu recorde, marcava 3.100 quilos. Mais uma festarola dentro da embarcação e a motivação estava nos picaros.

O meu recorde pessoal estava batido

Era-mos unânimes em dizer que poderia se dar um dia de pesca para a história e ao arrancar para mais uma volta e já eu estava agarrado a outro tarrolo. Belo arranque, parecia que não queria parar, estava a lutar com muita força o que indiciava mais um peixe de peso. Estava a viver novamente a sensação de estar a lutar com um predador sem ter tempo de descansar do anterior. O peixe mostrava não querer vir para o barco, o Palma devido ao facto de não podermos permanecer muito tempo parados no mesmo local, arranca lentamente em direcção ao peixe para me ajudar a trazer o menino para seco. Mais umas boas cabeçadas mas sem levar muita linha, diziam que se estava a entregar e em pouco tempo estava dento do xalavar. Mais um lindo peixe, eram mais 3 quilos de peixe a brilhar com a aberta de sol que se fazia sentir.
O volume de peixe já era grande e a motivação nem se fala. Dava gosto olhar para o poço  para ver o pescado. Lindos peixes, nunca tinha tido uma pesca assim. Estava mesmo satisfeito, as duas horas seguintes não deram descanso, sempre a tirar peixe, ainda saíram mais dois de porte muito razoável e uns quantos entre o 1/1.5 quilos cada.


Ainda ficaram por fotografar 4 ou 5 peixes de quilo que já estavam arrumados
 A verdade é que olhava-mos um para o outro e não sabia-mos explicar, avia que registar o maior números de detalhes possíveis para facilitar novas jornada, mesmo sabendo que a pesca não é uma ciência exacta, todos sabemos que existem factores que podem fazer a diferença. Como as nossas pescas tem hora marcada, era momento de recolher o plástico e voltar ao porto de abrigo, vinha-mos mesmo contentes e eu estava a precisar de um dia assim. Não tenho conseguido ir à pesca  mas este dia compensou. Não é o estilo onde dedico mais tempo e investimento mas foi muito motivante e reestabelecedor de carga nas minhas baterias. Estava a ser um dia bem passado em todos os aspectos o que "obrigou" a que ficasse marcado o regresso ao local para muito breve, só espero que seja parecido com este.

Grande abraço a todos,

Nuno Fernandes, Ricardo Palma

sábado, 10 de novembro de 2012

Salmonete no Seixal, Foto do Mês - Outubro 2012


SALMONETE
Muitos anos depois tornei a capturar de um dos peixes mais desejados e raros na baía do Seixal, uma baía cada vez mais limpa e com muitas variedades de pescado e fauna marinha.


Capturado com Ganso coreano

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Pesca ao pargo à chumbadinha

Olá pessoal...

Já fazia algum tempo que não ia numa embarcada, na pesca à chumbadinha ao pargo, pesca que me dá muito gozo! Estava portanto com muitas saudades.
A organização ficou a cargo de um amigo nosso, o Pinto que marcou o barco JIG II, eu fiquei de arranjar alguns amigos para irem connosco nesta aventura, nada fácil, pois é uma pesca que requer muita técnica e prática.
Como o nome diz, esta é uma pesca feita com uma chumbada de correr entre as 40g e as 120 g., conforme a profundidade e a corrente. Normalmente começo com 70 gramas, e depois logo altero consoante as necessidades. O anzol que uso vai dos 4/0 aos 6/0 e é fixado directo na linha madre. No meu caso utilizo um fluor 0,45mm com uma missanga de protecção ao nó. Simples não é? Acaba por ser uma montagem muito simples.
Agora vem a parte que requer prática e claro técnica. É que nesta pesca, estar a mais de 100 mts de profundidade com uma chumbadinha de 70 gramas e sentirmos os "mitras" a roubarem-nos a isca não é nada fácil, ou até estarmos a dar linha, e ainda estarmos a uns 30 mts. do fundo e sentirmos um disparo de linha a sair do carreto, são eles que de repente, subiram e vieram atacar a isca e começam logo a ZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZ, disparos brutais... É que acreditem acontece isto muitas vezes, a já capturei muitos pargos " na caída" da linha. Infelizmente muitos fogem na subida, e deixam-nos em desespero lololol.

Com a prática conseguimos sentir os " mitras" a comerem, sente-se que têm a isca na boa, dão cabeçadas brutas, começam a levar linha ZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZ, e nós damos o esticão e puxamos a isca e ao chegar???  Fo....., mas então? Como é possível? A isca intacta? Mas como é possível... Eles conseguem levar metros de linha com a isca na boca e nem esfrangalham o isco... É desesperante meus amigos!
Deixo uma dica essencial: Muita atenção ao seio da linha... Quanto mais seio a linha tiver menos sentimos os toques e mais fácil será de nos darem um grande baile!

Bem, vamos voltar a pesca... Como sempre os dias que antecedem uma pescaria destas são angustiantes. Existe tanta vontade em ir que mal dormimos, e desta não foi diferente.
Além disto a logística desta pesca obriga a sermos minunciosos e a escolher bem os materiais. Os anzois devem ser muito resistentes e afiados e as linhas devem ser de fluorocarbono ou em caso de não o serem devem ser de qualidade superior.

Sobre os iscos, eu sou sempre um stressado, ando sempre a tentar garantir aqueles e têm que ser aqueles! Sardinha fresca, e convém mesmo ser fresca, e camarão XXXL. Se forem XL acho que já não fico crente na pesca! LOLOLOL. Apesar dos stresses de última hora com os iscos lá consegui arranjar tudo o que queria. E fiquei muito motivado Estava pronto para a guerra!

A pesca foi combinada para as 03h30 da manhã, pois a viagem era até Vila Nova de Mil Fontes. Como normalmente, paramos no caminho para um café e para irmos ponde a conversa em dia, e preparando a táctica e sonhando com os beicudos!

Chegamos às 5h30 ao porto de Vila Nova, já o Mestre Jorge estava a bordo da embarcação a organizar as coisas para podermos partir.
A equipa estava eufórica, havia muita alegria e o ambiente era espectacular. Assim que subimos a bordo começamos a montar o equipamento para a pesca... A gula era tanta... Chegamos ao pesqueiro após uma viagem tranquila e segura.



Assim que cheguei lancei logo sardinha para baixo de forma a engodar o pesqueiro, e começou-se logo a sentir toques. Sairam besugos XXL, grandes choupas daquelas azuladas, e grandes abróteas. Quem começou a pescar com montagens de embarcada estava a safar-se bem, já os que estavam como eu à chumbadinha, aguardavam pacientes pelos "mitras". Eles ainda não tinham dado sinal de vida.



Por volta do meio dia, deixou de se sentir peixe, nem pequenos toques, nada. Este era o sinal que tanto esperávamos. Era agora ou nunca!
O primeiro a ferrar um bom pargo foi o Pedro, um belo exemplar que deu muito trabalhinho até chegar cá a cima.



Passados alguns minutos, ferro finalmente o primeiro, um peixe que me deu um grande disparo ao carreto. Foi brutal, só visto, pois é complicado de explicar. O meu Stella 8000 SW PG cantou loucamente ZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZ, mas já muito próximo da embarcação conseguiu vencer a batalha. Porra! Era o meu 1º peixe e fugiu, devia ser um monstro tal foi a luta que este animal me deu.
Bem nada a fazer, era iscar de novo e lançar lá para baixo.





O meu coração, esse, estava a bater loucamente. A adrenalina era imensa, nem sei me exprimir, mas é incrível o aumento que se verifica nas pulsações. Lancei para baixo com uma enorme sardinha fresquíssima e  assim que ele cai lá em baixo, nem um minuto esteve quieto... Comecei a ver a linha a Z...Z...Z...ZZZ...ZZZ, BEM... AQUI HÁ PARGO! PENSEI LOGO! E dou-lhe uma valente estocada e o carreto ZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZ, começo a trabalhá-lo e ele sempre a tentar levar a dele avante. Mas eu estava determinado a tirá-lo e tive calma, e trabalhei-o de forma a não o deixar virar-se e trouxe-o até a tona de água. Este já não fugia. Era meu!

Ao mesmo tempo o carreto do Pedro ZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZ, e ele de uma forma magnífica como sempre começa a trabalhar o peixe, e traz o "mitra" até à embarcação onde o Mestre da embarcação prontamente o encesta...

Estávamos todos muito felizes com estes grandes peixes quando o Pinto ferra um ZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZ, um belo pargo.



Quem nos deu um grande baile e foi a revelação do dia foi o Sr. Luís que qual chumbadinha qual quê... Com uma montagem de surfcasting ( chumbada e estralho de 1,5 mts.) ZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZ, e ZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZ, e... ZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZ, ferra um pargo enorme, que foi o maior do dia. Foi lindo de se ver aquela luta. Quem nunca sentiu este tipo de arranque deve ir experimentar, é arrepiante, e para quem observa é delicioso, qual canal caça e pesca qual quê... Isto é a vida real...

Durante ali duas horas fez-se a pesca, sairam N pargos e outros bons peixes, mais propriamente choupas e sargos.
Apesar de eu ter perdido 4, sim pessoal 4, grandes animais, fiquei muito feliz e adorei o dia, o espírito do grupo e o Mestre a quem agradeço a ajuda que nos deu em tudo.



Vou voltar a repetir com este grupo e da próxima vez vou levar antes para mudar, uma cana normal de embarcada e não uma de chumbadinha( bolonhesa), para ver como me sinto e se me dou melhor e claro se ferro melhor o peixe.
Julgo que este é outro conselho que posso dar a todos. Pratiquem com o material a que estão "feitos", que conhecem bem, e façam aquela montagem simples que usa na chumbadinha. Isquem bem e joguem lá para baixo. O resto vai acontecer naturalmente. Um abraço a todos, espero que gostem, foi um prazer enorme fazer este relato.






Material:
Canas: Mamute 3.9
Carretos: Stella SW 8000 PG
Iscos: Sardinha fresca, camarão XXXL

Palma.